A Pacto Energia decidiu encerrar o desenvolvimento de quase 900 MW em usinas solares pelo Brasil, citando gargalos na rede de transmissão como o principal obstáculo para a viabilidade dos ativos.
A Pacto Energia oficializou junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o pedido de cancelamento dos registros de requerimento de outorga, conhecidos como DRO, para uma expressiva carteira de projetos fotovoltaicos. A medida impacta um total de 888,48 MW em potência instalada, distribuídos por diversos estados, incluindo Paraná, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Ceará, Maranhão e Goiás.
A decisão reflete um desafio recorrente no setor de energia renovável brasileiro: a limitação do sistema de escoamento. De acordo com a companhia, a ausência de margem disponível para conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN) inviabilizou os empreendimentos, agrupados sob a marca Solaris.
Desafios na infraestrutura de transmissão
O cenário enfrentado pela empresa é de saturação na rede básica em regiões estratégicas. Segundo os estudos de acesso apresentados, a conexão das usinas demandaria reforços estruturais de grande porte no sistema elétrico.
“A necessidade de investimentos elevados em obras de reforço, somada aos prazos de execução exigidos, retirou a sustentabilidade econômica dos projetos, tornando a continuidade dos investimentos impraticável no atual momento”, apontou a empresa ao justificar a desistência.
Dinâmica do mercado solar e projetos híbridos
Enquanto a Pacto Energia sinaliza a saída de projetos, outras iniciativas seguem avançando no setor de geração centralizada. Recentemente, a Aneel autorizou a operação comercial de 32,5 MW referentes à UFV Sol de Brotas 1, situada em Brotas de Macaúbas (BA).
O projeto faz parte de uma estratégia de hibridização conduzida pela Statkraft. A intenção é integrar a capacidade solar aos parques eólicos Ventos de Santa Eugênia e Morro do Cruzeiro, otimizando o uso da infraestrutura de transmissão existente. Com investimentos na casa dos R$ 926 milhões, o complexo destaca a tendência de consolidação de fontes complementares, uma alternativa eficaz para contornar a escassez de capacidade na rede de transmissão.






















