O setor elétrico brasileiro debate o desafio de expandir as fontes renováveis garantindo a segurança de suprimento e a redução de custos operacionais.
A rápida expansão das energias limpas no Brasil trouxe um novo desafio para o setor elétrico: a necessidade crescente de contar com energia firme e flexível. Com a intermitência natural de fontes como a solar e a eólica, manter o equilíbrio da rede exige soluções estratégicas que combinem confiabilidade e tarifas acessíveis para os consumidores.
O tema foi o ponto central de debates durante o evento CNN Talks Energia: O Brasil diante de um novo mercado, realizado em São Paulo. Especialistas e principais lideranças dos segmentos térmico, nuclear e hidrelétrico se reuniram para discutir caminhos que conciliem a transição energética com a estabilidade operacional da rede nacional.
Competição justa e o papel do gás natural
Para otimizar o atendimento à demanda, especialistas defendem que a matriz precisa de uma competição transparente baseada nos atributos técnicos de cada tecnologia. Segundo Marcelo Lopes, diretor-executivo da Eneva, o mercado deve valorizar a capacidade de entrega rápida de eletricidade.
Marcelo Lopes afirmou:
Sem energia firme e sem artificialismos. Você tem que ter competição entre as fontes, competição entre as alternativas de suprimento e pagar pela característica que é necessária
O executivo destacou que a flexibilidade operacional tem um preço, mas que o aumento na produção nacional de gás natural pode baratear os custos de manutenção das usinas térmicas despacháveis. O planejamento integrado, unindo hidrelétricas, fontes intermitentes, gás e energia atômica, é visto como a chave para um modelo equilibrado.
O futuro e os custos da energia nuclear
A segurança da matriz elétrica também passa pela consolidação da energia nuclear. Durante o encontro, Celso Cunha, presidente da ABDAN, enfatizou que o país precisa definir urgentemente o futuro da usina de Angra 3, ponderando os altos custos entre a finalização das obras e o descomissionamento.
Celso Cunha afirmou:
Não existe nenhuma fonte capaz de entregar 1,4 gigawatt por dois bilhões de diferença
Além disso, o setor aposta na inovação com os pequenos reatores modulares, os chamados SMRs, e na urgência de um marco legal moderno que atraia investimentos privados para a área nuclear brasileira.
A relevância estratégica das hidrelétricas
Enquanto novas tecnologias ganham espaço, as tradicionais usinas hidrelétricas continuam sendo pilares para a estabilidade do sistema. Com o boom da energia solar, a variação na geração ao entardecer exige respostas rápidas da rede, papel desempenhado com eficiência pela água.
Um especialista afirmou:
A hidrelétrica tem esse papel extremamente importante. Quando a solar, quando outras renováveis deixam de gerar, ou ainda não estão em plena capacidade, ela consegue garantir que o sistema funcione
Conforme destacou João Guillaumon, vice-presidente da Auren Energia, o desafio atual reside em aprimorar a remuneração desses ativos, reconhecendo adequadamente serviços essenciais prestados à rede, como a regulação de frequência.
O futuro da energia sustentável no país dependerá diretamente da capacidade regulatória e de planejamento em integrar todas essas tecnologias. A harmonia entre fontes renováveis e suporte flexível será determinante para consolidar um mercado elétrico moderno, seguro e economicamente viável nos próximos anos.
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