Pesquisa conjunta entre a UPE e a CLAMPER apresentada no Japão comprova que o uso de DPS externo é indispensável para garantir a durabilidade e a segurança de inversores fotovoltaicos.
O mercado de energia solar no Brasil tem crescido de forma acelerada, ultrapassando marcas expressivas na geração distribuída. Contudo, a alta incidência de descargas atmosféricas no território nacional exige atenção redobrada com a segurança elétrica dos sistemas. Nesse cenário, uma nova pesquisa científica realizada em parceria entre a UPE (Universidade de Pernambuco) e a CLAMPER trouxe revelações importantes sobre a vulnerabilidade desses sistemas e a real eficácia dos mecanismos de defesa dos equipamentos.
O estudo aprofundado foi apresentado oficialmente no ICLP 2026, realizado no Japão. Intitulado “Resiliência a Surtos de Inversores Fotovoltaicos: Análise da Proteção Interna vs. DPS Externos”, o trabalho deu continuidade às investigações iniciadas em 2024 na Alemanha, consolidando dados técnicos fundamentais para o setor de energia limpa e sustentável.
O perigo da vulnerabilidade em inversores solares
Durante os testes práticos, os pesquisadores analisaram três modelos populares de inversores fotovoltaicos de 5 kW amplamente comercializados no Brasil. Os equipamentos foram submetidos a correntes intensas para simular o impacto de raios. Sem a presença de um dispositivo de proteção contra surtos externo, os resultados alarmaram: os aparelhos falharam rapidamente, resistindo a uma média de apenas alguns poucos pulsos elétricos tanto no lado de corrente contínua quanto em corrente alternada.
Esses dados reforçam que confiar exclusivamente na proteção embarcada de fábrica pode comprometer todo o projeto. Os testes demonstraram que a robustez declarada por alguns fabricantes nem sempre é suficiente para suportar o rigor das intempéries climáticas brasileiras, colocando em risco o patrimônio do consumidor e a continuidade da geração de energia renovável.
A eficácia comprovada do DPS externo
A reviravolta nos testes aconteceu quando os mesmos aparelhos receberam a instalação de um DPS externo adequado. Com o componente integrado ao sistema, o cenário mudou completamente, e todos os inversores suportaram o limite máximo de 100 impulsos aplicados no laboratório, bloqueando a grande maioria da energia destrutiva dos surtos elétricos.
“A proteção interna não substitui o DPS externo. Este segundo estudo reforça o que já tinha sido demonstrado pelo primeiro e mostra, de forma prática e mensurável, o quanto os inversores ficam expostos quando a instalação depende apenas da proteção embarcada”, avaliou Douglas Lara, coordenador da Engenharia de Aplicação da CLAMPER.
A pesquisa enfatiza o cumprimento rigoroso das normas técnicas brasileiras para instalações elétricas. O DPS externo atua desviando a maior parte da energia indesejada antes que ela atinja os componentes sensíveis do inversor, otimizando drasticamente a resiliência do sistema fotovoltaico.
O futuro da proteção em sistemas fotovoltaicos
Garantir que uma usina solar opere com máxima eficiência por décadas exige planejamento de longo prazo. Como os projetos costumam durar vinte anos ou mais, superar a vida útil dos inversores sem manutenções corretivas custosas depende diretamente de boas práticas de engenharia desde a fase de projeto.
“É importante lembrar que uma instalação fotovoltaica é projetada para operar por 10, 15, 20 anos ou até mais, período que pode inclusive superar o prazo de garantia de alguns inversores. Por isso, a proteção contra surtos precisa ser considerada durante toda a vida útil da instalação. O DPS externo é uma aplicação prevista nas normas brasileiras e indispensável para proteger o investimento em energia solar e assegurar a continuidade da geração, mesmo para os inversores que declaram proteção interna Classe II”, concluiu Douglas Lara.
Com a expansão contínua da transição energética, estudos como o da UPE e da CLAMPER servem como um guia essencial para integradores, projetistas e consumidores. Adotar o DPS externo não é apenas uma recomendação normativa, mas um pilar fundamental para a consolidação de um mercado de energia solar cada vez mais seguro, confiável e duradouro no Brasil.














