Setor elétrico em debate: entidades e grandes consumidores buscam reajuste no CVaR para otimizar custos operacionais.
Entidades representativas do setor elétrico e consumidores de grande porte uniram forças em um apelo conjunto ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). A demanda central é a revisão e ajuste do parâmetro de aversão ao risco, conhecido como CVaR, utilizado na gestão da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN). A expectativa é que a decisão ocorra em reunião agendada para 10 de junho.
O ponto nevrálgico da discussão reside em como os modelos operacionais interpretam o risco hidrológico. A escolha do parâmetro de CVaR impacta diretamente o volume de despacho de usinas térmicas, acionadas para suprir a demanda quando a geração hídrica é insuficiente. Essa decisão tem repercussões diretas no Custo Marginal da Operação (CMO) e, consequentemente, no Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), afetando as tarifas para todos os consumidores, tanto livres quanto cativos.
## Defesa de um parâmetro mais econômico e seguro
Um manifesto co-assinado por diversas associações — incluindo as que representam geradores eólicos, autoprodutores, comercializadores, cogeração e consumidores em geral — defende a adoção do parâmetro CVaR 15/30. O argumento principal é que essa configuração permitiria manter a segurança energética do sistema com um custo menor para a sociedade.
Segundo as entidades signatárias, a manutenção do critério atual, o CVaR 15/40, representaria um ônus adicional de aproximadamente R$ 3 bilhões para os cofres brasileiros, com um benefício marginal de apenas 0,4% no acúmulo de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas. A perspectiva é que a avaliação do CMSE considere a relação custo-benefício, visando assegurar a confiabilidade do suprimento sem impor encargos que extrapolam a necessidade.
A discussão sobre o CVaR já havia adiado uma definição na reunião de maio do CMSE, quando foram solicitados estudos adicionais sobre os efeitos do despacho térmico, especialmente após os leilões de reserva de capacidade que adicionaram cerca de 20 GW ao sistema.
## Grandes consumidores alertam para impacto no mercado livre
As associações argumentam que, com a recente expansão da capacidade instalada, há margem para readequar o critério de aversão ao risco sem comprometer a segurança energética. A adoção do CVaR 15/30 é estimada em gerar uma redução de R$ 85/MWh no CMO, resultando em uma diminuição tarifária de 1,74%. Este parâmetro, segundo o manifesto, garantiria o atendimento mesmo em cenários hídricos severos, ultrapassando as piores sequências históricas observadas.
O setor de grandes consumidores livres também manifestou sua posição favorável ao CVaR 15/30. Em documento próprio, empresas de peso como Ambev, BRF, Sabesp, Grendene, entre outras, expressaram preocupação com a atual formação de preços no mercado livre. Elas destacam que o custo da energia elétrica é um fator crítico para a competitividade, o investimento e a geração de empregos no país.
A manutenção do parâmetro CVaR 15/40 agravaria o cenário de preços elevados, considerado desproporcional pela indústria. Empresas que competem globalmente, ressaltam os consumidores, têm dificuldade em repassar custos adicionais, o que pode levar à redução de margens, queda na produção e, em cenários extremos, à evasão de investimentos. A busca é por um equilíbrio que garanta a segurança do suprimento sem penalizar a competitividade econômica.





















