A próxima reunião do CMSE em 10 de junho definirá custos de operação do SIN, enquanto o setor clama por ajustes paramétricos para evitar R$ 3 bilhões em encargos.
O cenário energético brasileiro está prestes a vivenciar uma decisão crucial no dia 10 de junho, quando o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) se reunirá para deliberar sobre os custos operacionais do Sistema Interligado Nacional (SIN). O foco principal será o nível de acionamento de usinas térmicas, medida que impactará diretamente os custos sistêmicos e, consequentemente, o bolso dos consumidores e da economia em geral.
Essa deliberação, previamente postergada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para aprofundar análises sobre os resultados do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026), que adicionou 20 GW à capacidade do sistema, agora assume contornos de urgência. Sete importantes entidades do setor elétrico, incluindo ABEEólica, Abraceel e a Frente Nacional dos Consumidores de Energia, apresentaram um manifesto conjunto. A principal reivindicação é a revisão dos parâmetros atuais, que, segundo as associações, gerariam um ônus de cerca de R$ 3 bilhões à sociedade, com um ganho mínimo de apenas 0,4% em termos de armazenamento hidrelétrico.
O cerne da questão reside na discussão dos parâmetros de aversão ao risco e metas de armazenamento. As entidades propõem a adoção do modelo CVaR (15;30), argumentando que essa mudança poderia reduzir o Custo Marginal da Operação (CMO) em R$ 85,00/MWh e gerar uma queda de 1,74% nas tarifas. Defendem que essa calibração é suficiente para garantir a segurança do SIN, mesmo em cenários hídricos desfavoráveis, e evitaria repasses inflacionários indesejados para o mercado livre e regulado.
A preocupação das associações transcende o setor elétrico. O manifesto alerta que a manutenção de custos operacionais elevados e artificialmente inflados pode comprometer o orçamento das famílias, minar a competitividade da indústria brasileira e gerar um efeito cascata em toda a economia, com impactos negativos no emprego e no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). As entidades demonstram confiança na capacidade do MME de encontrar um equilíbrio entre a segurança energética e a modicidade tarifária, um ponto fundamental para a sustentabilidade econômica do país.






















