Empresa vê programa como sinalização estratégica para atrair infraestrutura digital, mas avalia que critério de adicionalidade pode afastar investimentos.
O programa Redata, idealizado pelo governo federal para impulsionar a instalação de data centers no Brasil, recebeu um parecer positivo da Scala Data Centers. Fábio Yanaguita, diretor de energia da empresa, reconheceu a importância estratégica da iniciativa para atrair investimentos em infraestrutura digital. Contudo, Yanaguita expressou preocupação com as discussões em torno de critérios de adicionalidade energética, alertando que exigências desproporcionais podem desencorajar novos aportes no setor.
Em sua análise, Yanaguita destacou que o Brasil precisa fortalecer sua imagem global como um destino seguro e capacitado para grandes empreendimentos de processamento de dados. Ele acredita que o Redata representa um passo crucial nesse sentido, demonstrando um alinhamento governamental com a relevância estratégica dos data centers e a criação de um ambiente regulatório mais favorável.
Críticas à Adicionalidade Energética
Apesar do elogio ao Redata, a Scala Data Centers manifestou ressalvas quanto a determinados aspectos da Medida Provisória (MP) 1.307/25. Uma das críticas recai sobre a exigência de que empresas em Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) utilizem energia exclusivamente de novas usinas renováveis. O ponto de discórdia reside no “critério de adicionalidade”, que demanda a criação de capacidade de geração limpa adicional para atender ao consumo próprio dos data centers.
Yanaguita considera essa exigência contraproducente, especialmente em um cenário onde o sistema elétrico brasileiro já dispõe de uma oferta de energia superior à demanda, resultando em interrupções programadas (conhecidas como “curtailment“). Ele argumenta que impor a construção de novas usinas agrava a situação de excedente energético e encarece os investimentos necessários para a infraestrutura digital.
“Quanto mais requisitos e direcionamento quisermos dar, mais a gente espanta os data centers do Brasil. Existe uma sobreoferta de geração no país. Se a gente obrigar as empresas a virem e construírem mais uma geração para atender seu consumo, pioramos o problema do ‘curtailment’ e adicionamos um custo a essa infraestrutura”, explicou Yanaguita.
Política de País e Aceleração de Investimentos
O diretor da Scala Data Centers enfatizou que o setor de data centers não busca subsídios, mas sim uma “política de país” clara e estável. Ele ressaltou que, independentemente da aprovação formal do Redata, os investimentos em data centers no Brasil tendem a se concretizar, impulsionados pela demanda global por serviços digitais. O programa governamental, em sua visão, atua como um catalisador e um atrativo adicional para essa tendência.
A visão da Scala Data Centers aponta para a necessidade de um equilíbrio entre o estímulo à expansão da infraestrutura digital e a criação de um marco regulatório energético que não penalize o crescimento do setor. A discussão sobre a adicionalidade energética, portanto, permanece como um ponto crucial para o futuro dos investimentos em data centers no Brasil, buscando garantir um ambiente competitivo e sustentável.




















