Quase 3 GW de demanda por conexão à rede de transmissão deverão ir a leilão, com maior concentração em São Paulo.
A primeira Temporada de Acesso, um novo marco na expansão da infraestrutura de energia elétrica do Brasil, indica que aproximadamente 2,94 gigawatts (GW) de pedidos de conexão à Rede Básica deverão passar por um processo competitivo. Esta etapa, conduzida pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), representa uma mudança significativa na forma como novos acessos são concedidos.
O destaque dessa temporada fica por conta da expressiva concentração de solicitações em São Paulo, onde 1,95 GW de cargas estão aptos a disputar espaço na rede. Outros 993 megawatts (MW) em projetos de geração no Rio Grande do Sul também entram na fila para um processo competitivo. Esses volumes, embora substanciais, correspondem a cerca de 15% do total de 20,28 GW analisados nesta primeira fase da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast).
Novos Desafios na Rede de Transmissão
A introdução da Pnast visa otimizar a alocação de capacidade na rede de transmissão, substituindo o antigo modelo de “ordem de chegada” por um sistema de temporadas onde as solicitações são avaliadas em conjunto. Quando a demanda excede a capacidade disponível em determinados pontos, um processo competitivo se torna necessário para definir os novos usuários.
No caso de São Paulo, os 1,95 GW de demanda de consumidores estão associados a 13 pontos específicos de conexão. Estes locais possuem um limite combinado de 650 MW, considerando os reforços já planejados na infraestrutura de transmissão. Entre as localidades citadas estão Cabreúva, Cubatão, Edgard de Souza e Campinas, em tensões de 345 kV e 500 kV.
Já no Rio Grande do Sul, a disputa se concentra nos barramentos de Alegrete 2 e Livramento 3. Os projetos de geração somam quase 1 GW, sendo 185 MW em Alegrete e mais de 800 MW em Livramento. Contudo, a capacidade total disponível nessas subáreas é de apenas 100 MW, indicando uma concorrência acirrada.
O Futuro da Conexão à Rede
O ONS ressalta que os números divulgados ainda são preliminares e não consideram a etapa de desistências, que pode alterar os volumes finais antes das disputas. Paralelamente aos 2,94 GW que podem ir a leilão, cerca de 8,06 GW têm indicação de acesso direto à rede, sem necessidade de competição. Isso significa que aproximadamente 11 GW, ou mais da metade do total analisado, poderão avançar.
No entanto, um ponto de atenção é a situação no Nordeste e em outras regiões. O balanço do operador aponta para 9,28 GW em pedidos de geração que não encontrarão espaço na rede, ao menos até 2031. Desses, cerca de 8,6 GW estão localizados em pontos sem capacidade calculada pelo ONS na região nordestina.
A definição dos processos competitivos ocorrerá entre 28 de setembro e 8 de outubro, após a divulgação do valor de referência para cada barramento. A lista definitiva de participantes e os projetos vencedores só serão conhecidos após todas as etapas anteriores, incluindo a análise de desistências.
Enquanto a primeira temporada de acesso ganha forma, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ainda discute ajustes regulatórios. A proposta, relatada pelo diretor Fernando Mosna, visa adequar os Módulos 1 e 5 das Regras dos Serviços de Transmissão e os Procedimentos de Rede à nova política.
“A consulta pública sobre as mudanças regulatórias foi aprovada, indicando um passo importante para a consolidação da Pnast e garantindo maior transparência e eficiência na expansão da rede de transmissão.”
A aprovação dessa nova dinâmica de acesso à rede é fundamental para o planejamento e o desenvolvimento da infraestrutura de transmissão, assegurando que os investimentos em energia limpa possam fluir de maneira organizada e eficiente para atender à crescente demanda.
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