A receita global com a precificação de carbono disparou na última década, ultrapassando US$ 107 bilhões em 2025, impulsionada pela expansão de políticas climáticas em economias emergentes.
Os mecanismos de precificação de carbono consolidaram-se como uma das principais ferramentas econômicas no combate às mudanças climáticas. De acordo com o mais recente relatório do Banco Mundial, a arrecadação obtida através de impostos sobre o carbono e sistemas de comércio de emissões (ETS) triplicou desde 2016, saltando de menos de US$ 30 bilhões para a marca histórica de US$ 107 bilhões em 2025.
Este avanço reflete a urgência global em descarbonizar setores industriais estratégicos. Atualmente, o mundo conta com 87 políticas de precificação ativas, com o ingresso recente de nações como a Índia e o Vietnã, sinalizando que a transição energética está ganhando escala mesmo fora do eixo das economias desenvolvidas.
O avanço dos mercados emergentes
O valor médio da tonelada de CO2 também registrou alta, subindo 7% e atingindo a casa dos US$ 21 por tonelada equivalente. Para o Banco Mundial, o cenário é de crescimento contínuo. A expectativa é que, até 2030, um terço das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) esteja sob o regime de precificação, à medida que países como Brasil, Turquia e Tailândia coloquem seus projetos em prática.
A Índia tem se destacado com o seu Sistema de Comércio de Créditos de Carbono (CCTS), que foca em setores de difícil descarbonização, como fertilizantes e petroquímica. Da mesma forma, o Japão inaugurou recentemente a fase obrigatória do seu GX-ETS, abrangendo mais da metade de suas emissões nacionais.
“Pouco mais de 29% das emissões globais de gases de efeito estufa em todo o mundo são atualmente cobertas pela precificação direta do carbono. Esse percentual aumentaria para cerca de um terço se os instrumentos atualmente em desenvolvimento fossem implementados em mais algumas das principais economias emergentes”, aponta o relatório da instituição financeira.
Desafios e o futuro da competitividade industrial
Embora a arrecadação cresça, o equilíbrio entre a sustentabilidade ambiental e a viabilidade econômica permanece um desafio. Na União Europeia, pioneira nos mercados regulados de carbono, o setor industrial pressiona por medidas que evitem a fuga de investimentos para países com regulamentações ambientais mais permissivas.
O debate sobre a oferta de licenças para a próxima década (2031-2040) no bloco europeu ilustra a complexidade do cenário atual. Para indústrias de base, como aço e cimento, o sucesso da precificação de carbono dependerá não apenas da imposição de taxas, mas de uma infraestrutura de suporte que garanta a competitividade global enquanto novos processos de baixa emissão de carbono são integrados à produção.






















