Minuta do relatório do Plano Clima aponta que as emissões do setor de energia no Brasil devem manter tendência de alta até 2030, impulsionadas pelo crescimento do consumo nos transportes.
O primeiro relatório de acompanhamento do Plano Clima indica uma tendência de crescimento contínuo nas emissões de gases de efeito estufa da matriz energética brasileira.
O levantamento preliminar projeta essa elevação constante pelo menos até o ano de 2030.
Apesar de o país possuir uma das matrizes elétricas mais limpas do planeta, o aumento da demanda por combustíveis fósseis tem superado os avanços das fontes renováveis no balanço final de carbono.
A análise elaborada em conjunto pelo MMA, MCTI e a Casa Civil acende o alerta para a necessidade de estratégias mais eficazes de descarbonização em setores críticos como o de transportes.
Desafios na transição e metas até 2030
Entre os anos de 2022 e 2024, as emissões do setor energético registraram uma alta de 2%, alcançando o patamar de 427 MtCO₂e no último ano.
A projeção governamental é de que o volume atinja 444 MtCO₂e ao final desta década, motivado pela expansão da atividade econômica.
Mesmo com a participação das fontes limpas na geração de eletricidade mantendo-se acima dos 86%, a necessidade de recorrer a termelétricas a carvão e o aquecimento do mercado de aviação impulsionaram os índices negativos.
Segundo os dados destacados no mapeamento interministerial:
Em 2024, a queima de combustíveis respondeu por 95,4% das emissões do setor de energia, com o segmento de transportes figurando como o principal responsável pela demanda por fontes fósseis.
Apostando nos biocombustíveis e na eficiência
Diante da dependência do transporte rodoviário, a estratégia oficial aposta no fortalecimento dos biocombustíveis como a principal ferramenta para mitigar o impacto do consumo de gasolina e óleo diesel no país.
A fatia dessas alternativas renováveis no consumo total evoluiu de 4,75% em 2010 para expressivos 14,15% previstos para 2025.
Ensaios avançados com novas misturas de etanol e biodiesel buscam acelerar esse processo de substituição gradativa.
Paralelamente, o segmento de exploração de petróleo e gás trabalha para conter a intensidade de carbono no processo extrativo, fixando a meta de emissão em 15 kgCO2 por barril equivalente até 2035.
A consolidação das diretrizes do Plano Clima exige maior coordenação interministerial para transformar a vantagem estrutural da matriz renovável em redução efetiva de poluentes.
Os próximos passos dependem da aprovação do documento pelo CIM e do alinhamento entre incentivos econômicos e metas ambientais nos próximos anos.
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