A capacidade global de fontes renováveis precisa multiplicar por sete até 2050 para conter o aquecimento global em 1,5°C, aponta novo relatório da Agência Internacional de Energias Renováveis.
A transição energética global exige uma aceleração sem precedentes para cumprir as metas de preservação do clima. A capacidade instalada de matrizes limpas precisa saltar dos atuais 5,2 Terawatts (TW) para 38,2 TW até a metade deste século.
Para atingir esse marco e conter o aumento da temperatura do planeta a 1,5°C, conforme estabelecido no Acordo de Paris, as fontes solar e eólica deverão fornecer mais de 80% de toda a eletricidade mundial em 2050.
Os dados integram o estudo World Energy Transitions Outlook 2026, elaborado pela Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA). O levantamento reforça que a simples instalação de usinas não será suficiente sem reformas estruturais profundas.
Desafios na infraestrutura e na rede elétrica
O estudo alerta que a expansão da geração renovável precisa andar de mãos dadas com a modernização do sistema elétrico. É urgente ampliar a capacidade das redes, investir em armazenamento e garantir maior flexibilidade operacional para absorver a nova demanda.
Segundo a IRENA, a eletricidade deve responder por 35% do consumo final de energia até 2035, ultrapassando a marca de 50% em meados do século. Contudo, os investimentos em transmissão e distribuição continuam aquém do ritmo necessário.
A lentidão no aprimoramento das redes e os ganhos insuficientes em eficiência energética correm o risco de se tornarem gargalos críticos, travando o avanço das fontes sustentáveis no mercado global.
O diretor-geral da IRENA, Francesco La Camera, destacou:
O crescimento recorde das renováveis não é suficiente por si só: a eficiência energética está aquém do necessário, as redes têm dificuldade para acompanhar o ritmo e a demanda global de energia continua crescendo.
Investimentos trilionários e impacto socioeconômico
A viabilização dessa transformação vai exigir aportes financeiros colossais, estimados em cerca de US$ 10,3 trilhões por ano entre 2026 e 2050. Os recursos serão direcionados prioritariamente à geração, infraestrutura de rede e eletrificação dos usos finais.
Apesar do alto volume de recursos necessários, o retorno socioeconômico promete ser altamente positivo. A trajetória alinhada a 1,5°C pode gerar um ganho econômico acumulado de US$ 46 trilhões até 2050, em comparação com a manutenção do cenário atual.
O mercado de trabalho também passará por uma forte expansão. A estimativa é de que os empregos no setor de energia limpa se multipliquem por mais de cinco vezes, superando com folga o contingente atual de 16 milhões de trabalhadores.
Outro impacto direto envolve o bolso do consumidor. Com a ampliação da competitividade nos mercados elétricos, a projeção aponta para uma redução de até 15% nas tarifas finais de eletricidade até a metade do século.
Caminhos para uma transição sustentável
Para orientar os governos mundiais na próxima década, a IRENA estruturou sete prioridades de ação. A agenda inclui planejamento integrado de mercados, estratégias industriais, cooperação internacional e garantias de proteção social.
O principal desafio global reside em coordenar a substituição progressiva dos combustíveis fósseis assegurando a confiabilidade no abastecimento e preços acessíveis, enquanto as alternativas de baixo carbono ganham escala planetária.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Brasil freia expansão renovável e América Latina busca retomada com baterias
· Energia Renovável
LEIA MAIS
Brasil registra queda de vinte e sete por cento na expansão eólica e solar em dois mil e vinte e cinco
· Energia Renovável
LEIA MAIS
Vallourec Avança na Sustentabilidade com Tecnologia que Reduz as Emissões de Metano na Produção de Carvão Vegetal em até 99%
· Geração
LEIA MAIS














