Petrobras mira autossuficiência em diesel e gasolina, com planos de expansão no refino e ajustes na precificação de combustíveis.
A Petrobras reafirmou seu compromisso em impulsionar a autossuficiência brasileira em combustíveis essenciais como diesel e gasolina. As avaliações em curso visam expandir significativamente a capacidade de refino da estatal, com o objetivo de atender integralmente à demanda nacional. Essa meta ambiciosa pode ser incorporada ao próximo plano de negócios da companhia, que abrangerá o período de 2027 a 2031.
O ponto crucial dessa estratégia reside na potencial elevação da produção de diesel. Enquanto o plano atual prevê um aumento de até 330 mil barris por dia, novas projeções já indicam um salto para 500 mil barris diários a partir de 2031. Essa expansão não apenas eliminaria a necessidade de importação, mas também abriria caminho para a exportação do combustível.
Expansão da Capacidade de Refino e Cenário de Importação
Atualmente, a Petrobras registra uma produção diária de 715 mil barris de diesel. No primeiro trimestre de 2026, houve uma importação líquida de 49 mil barris. No entanto, os meses de abril e maio já sinalizaram uma mudança nesse cenário, com a ausência de importações.
A diretora de Processos Industriais e Produtos, William França, destacou o potencial transformador dessa ampliação: “Aí é autossuficiência até com possibilidade de exportação”. Essa visão otimista molda as futuras decisões estratégicas da empresa.
Apesar dos planos de longo prazo, a demanda sazonal do agronegócio no segundo semestre pode exigir um aumento temporário nas importações de diesel. A diretora de Logística, Comercialização e Mercados, Angélica Laureano, assegurou, porém, que não há risco de desabastecimento. “Não existe falta de diesel no mercado, mesmo no mercado exterior. Se for necessária a importação, nós vamos importar sem nenhuma dificuldade”, declarou.
Subvenção do Diesel e Reajuste na Gasolina
A adesão da Petrobras à subvenção do diesel, proposta pelo governo federal e no valor de R$ 1,50 por litro, incluindo isenção de PIS/Cofins, tem sido um ponto de atenção. Segundo Laureano e a presidente da estatal, Magda Chambriard, esse valor é suficiente para viabilizar importações sem prejuízos. A empresa já contabiliza um aumento de 45,87% na receita com o combustível, apesar de a subvenção ainda não ter sido recebida.
No que diz respeito à gasolina, a política de preços da Petrobras busca equilibrar a volatilidade externa com a manutenção da participação de mercado. A presidente Magda Chambriard adiantou a iminência de um reajuste no preço da gasolina, visando competir com o etanol, cuja cotação tem diminuído.
“Então, nós estamos agora tratando desse aumento de gasolina, mas sempre de olho no nosso market share e na evolução do mercado do etanol. Vai acontecer já, já um aumento de preço de gasolina, mas nós temos que ter certeza que esse mercado almejado continua nosso”, explicou Chambriard.
Impacto do Preço do Petróleo e Novos Horizontes
O aumento do preço do barril de petróleo Brent, que encareceu 6,5% em um ano, atingindo uma média de US$ 80,61 no primeiro trimestre de 2026, tem viabilizado investimentos estratégicos. Esse cenário, superior às projeções iniciais da Petrobras (US$ 77 para 2026), permitiu a antecipação da implantação de uma segunda plataforma para o projeto Sergipe Águas Profundas (AP).
A renda adicional oriunda do petróleo mais caro deverá ser direcionada para antecipar outros investimentos, como a possível aceleração do projeto Búzios 12.
Expansão Internacional: O México em Foco
A Petrobras também delineia planos de expansão de sua atuação no México, explorando uma parceria com a estatal Pemex. A exploração de projetos na porção mexicana do Golfo do México, especialmente em águas ultraprofundas – nicho de atuação da Petrobras –, é vista como uma oportunidade.
A presidente Magda Chambriard observou que a região apresenta um cenário de exploração subdesenvolvido em comparação com suas potencialidades. Embora os planos estejam em fase inicial de “boas intenções”, a recente comitiva ao México demonstra o interesse da empresa em aprofundar as relações e explorar essas novas fronteiras energéticas.




















