A Petrobras anunciou um novo reajuste de 7,2% no preço do Querosene de Aviação, marcando o quarto aumento consecutivo e elevando a pressão sobre os custos operacionais das companhias aéreas brasileiras.
O mercado de aviação comercial enfrenta um cenário de turbulência com o anúncio da Petrobras, que elevou em 7,2% o valor médio do QAV (querosene de aviação) repassado às distribuidoras neste domingo (1º.nov.2026).
O ajuste representa um acréscimo de R$ 0,45 por litro, consolidando uma sequência de quatro altas seguidas que desafia o planejamento financeiro do setor aéreo no Brasil.
A decisão da estatal é reflexo direto da instabilidade geopolítica global. Segundo a companhia, a escalada de preços é sustentada pela volatilidade do petróleo tipo Brent, cujas cotações permanecem elevadas devido à guerra no Oriente Médio e aos impactos operacionais nas refinarias da Rússia e da Ucrânia, que enfrentam limitações produtivas decorrentes do conflito entre as nações.
Impacto acumulado e crise no setor aéreo
Desde março de 2026, quando o cenário de conflito no Oriente Médio se intensificou, o QAV acumula uma alta expressiva de 90%.
Para as companhias aéreas como Latam, Gol e Azul, o combustível deixou de ser um insumo de custo previsível para se tornar o principal vilão do orçamento.
Dados da Abear apontam que o peso do combustível nas despesas operacionais saltou de 32% para patamares superiores a 45% em um curto período.
“A precificação do QAV no mercado brasileiro segue uma fórmula paramétrica prevista em contrato, que atua como um amortecedor das oscilações de curto prazo, resultando em reajustes mais moderados do que os observados internacionalmente.”
Essa disparada forçou as empresas a revisarem suas malhas aéreas.
Em agosto, a Abear reportou um déficit orçamentário de R$ 5,2 bilhões no setor, o que culminou na redução da oferta de voos e na retirada de aeronaves maiores de circulação.
A instabilidade no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio de petróleo, mantém o preço do barril próximo a US$ 113, dificultando a previsão de alívio nos custos para os próximos meses.
Cenário futuro e medidas de mitigação
Embora o Brasil seja um grande produtor de petróleo, a precificação do QAV segue referências do mercado internacional, o que mantém o preço doméstico atrelado à realidade global de oferta e demanda.
A Petrobras detém aproximadamente 85% da capacidade de produção nacional, mas o mercado segue aberto a importadores e outros competidores.
Para tentar amenizar o impacto financeiro nas distribuidoras e, consequentemente, na cadeia de suprimentos da aviação, a estatal mantém ativo um programa de parcelamento que permite o pagamento dos reajustes em três vezes.
Contudo, o setor aéreo segue em alerta, aguardando sinais de arrefecimento nos conflitos internacionais para que a pressão sobre os preços dos combustíveis ceda e permita a estabilização das tarifas e da malha aérea nacional.











