Pesquisadores da UCLA e a empresa Mote testam tecnologia de gaseificação para transformar resíduos orgânicos em hidrogênio de alta pureza, com capacidade potencial para abastecer até 100 veículos.
Uma iniciativa inovadora na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) promete transformar restos de refeições e resíduos de podas em combustível limpo. A instituição testa um sistema capaz de converter o lixo orgânico do campus em hidrogênio de alta pureza.
Com uma produção diária de aproximadamente sete toneladas de resíduos orgânicos, a estimativa é que o volume seja suficiente para abastecer até 100 veículos movidos a hidrogênio ou suprir cerca de 2% da demanda elétrica da própria universidade.
O projeto-piloto é conduzido em parceria com a empresa Mote e busca avaliar a viabilidade técnica e econômica do processo antes de uma expansão em escala comercial.
Como funciona a gaseificação da biomassa
O método adotado não se compara a uma simples compostagem. A tecnologia emprega o processo de gaseificação, no qual a matéria orgânica seca é submetida a altas temperaturas sob condições controladas de oxigênio.
Essa reação química gera o chamado gás de síntese, composto por hidrogênio, monóxido de carbono e dióxido de carbono. A etapa seguinte consiste em purificar o elemento para obter hidrogênio com elevado grau de pureza.
Os pesquisadores ressaltam que o combustível necessita de filtragem rigorosa e tratamento adequado antes de ser armazenado e utilizado em células a combustível de veículos compatíveis.
Detalhamento do projeto e cronograma de testes
O projeto segue em andamento e os pesquisadores afirmam:
“O objetivo é verificar quanto dessa corrente de resíduos pode alimentar a tecnologia com rendimento e controle de emissões suficientes para justificar sua ampliação.”
Sob a coordenação do professor Dante Simonetti, da Escola de Engenharia Samueli da UCLA, a equipe conta com o trabalho de pós-graduandos e apoio do engenheiro Robert Knight, representante da Mote.
Com investimento de US$ 100 mil fornecidos pela startup Mote para custear materiais e bolsas de estudo, os testes iniciados em abril têm previsão de duração até setembro de 2027.
Captura de carbono e potenciais aplicações
Além de gerar energia limpa, o equipamento foi projetado para capturar o dióxido de carbono liberado durante o processamento da biomassa, viabilizando o conceito de emissões negativas de carbono.
O modelo desperta interesse em países como o Brasil, que possuem grande volume de resíduos agrícolas e urbanos. No entanto, a viabilidade depende de estudos comparativos com a biodigestão e a compostagem convencional.
Embora os números atuais representem apenas simulações e projeções teóricas, a transformação de lixo universitário em combustível aponta caminhos promissores para a transição energética global.
Os próximos anos de testes serão decisivos para comprovar a estabilidade do sistema e determinar se o modelo pode ser replicado em maior escala industrial.











