Pesquisadores da UFJF criam tecnologia inovadora que usa etanol para substituir o gás de cozinha, combinando vaporização indireta e controle eletrônico de chama em protótipo promissor.
Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores mineiros promete transformar a rotina do preparo de alimentos no país. Engenheiros da UFJF criaram um sistema que permite utilizar etanol como combustível para fogões domésticos e industriais.
O projeto surge como uma alternativa sustentável ao uso de combustíveis gasosos, como o GLP, que hoje está presente em cerca de 95% das cozinhas brasileiras, segundo dados do setor de energia.
Diferente de tentativas anteriores, a solução dispensa o uso de recipientes pressurizados e integra um controle eletrônico capaz de monitorar continuamente a estabilidade e a intensidade da chama.
Como funciona a vaporização do etanol
Para viabilizar a queima do combustível líquido de forma eficiente, especialistas das áreas de Engenharia Mecânica e Engenharia Elétrica uniram forças para projetar uma plataforma dedicada ao insumo.
O sistema adota a técnica de vaporização indireta, na qual o biocombustível é aquecido por um mecanismo intermediário antes de alcançar o queimador, evitando o contato direto com a fonte de calor.
Essa estrutura garante que a transição do estado líquido para o gasoso ocorra de forma gradativa, mantendo a regularidade do processo de combustão e elevando os padrões de segurança.
Os pesquisadores afirmam:
“A plataforma foi concebida para integrar alimentação, vaporização e queima de maneira coordenada, garantindo eficiência energética sem a necessidade de manter o combustível sob pressão.”
Patente e etapas de validação
A inovação foi projetada pelos pesquisadores Marco Aurélio da Cunha Alves, Daniel de Almeida Fernandes e Pablo Henrique de Oliveira, que formalizaram o pedido de patente do invento junto aos órgãos de propriedade industrial.
Sob acompanhamento do Critt, a tecnologia denominada Sistema de Vaporização Indireta e Fogão a Vapor de Etanol passa atualmente pela fase de testes de pré-protótipo em laboratório.
Como o álcool combustível é um fluido inflamável, os ensaios práticos analisam critérios rigorosos de contenção, variação térmica e resposta dos componentes eletrônicos antes de avançar para o mercado.
Perspectivas para o mercado de energia
A iniciativa aproveita a consolidada cadeia nacional de biocombustíveis, derivada da cana-de-açúcar e do milho, para oferecer uma alternativa de matriz energética limpa para o uso cotidiano.
Apesar dos avanços observados em bancada, os desenvolvedores ressaltam que o equipamento ainda necessita de aperfeiçoamentos técnicos e não possui data para chegar às lojas.
O sucesso das próximas etapas de testes será fundamental para atrair parcerias privadas e viabilizar a transferência de tecnologia para fabricantes de eletrodomésticos no futuro.









