Mercado Livre de energia avança 3,1% no 1º trimestre e sustenta expansão da carga no país.
O setor de energia elétrica no Brasil demonstrou resiliência no primeiro trimestre de 2026, com o Ambiente de Contratação Livre (**ACL**) registrando um crescimento notável de 3,1% na demanda por eletricidade. Segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (**CCEE**), o **ACL** atingiu uma carga média de 30.570 megawatts (**MW**), impulsionado pela adesão de novas unidades consumidoras e pelo desempenho positivo de diversos setores da economia.
Este avanço contrasta com o consumo total do Sistema Interligado Nacional (**SIN**), que apresentou uma leve retração de 1,2% no mesmo período, totalizando 73.669 **MW** médios. A expansão do mercado livre, que recebeu 4.864 novas unidades apenas nos primeiros três meses do ano, é um indicativo da crescente atratividade deste modelo, especialmente para grandes consumidores e indústrias que buscam otimizar custos e ter maior previsibilidade.
O presidente do Conselho de Administração da **CCEE**, **Alexandre Ramos**, destacou a importância desses números para a modernização do setor. “É mais um sinal de que o segmento segue ganhando relevância na modernização do setor elétrico nacional, refletindo a busca por mais competitividade, previsibilidade de custos e liberdade de escolha”, afirmou. A expectativa é que a abertura total do mercado, prevista para 2028, impulsione ainda mais essa tendência.
### Expansão Setorial e Impacto Climático
O crescimento no **ACL** foi liderado por setores como Serviços, com um aumento de 12% no consumo, Saneamento (**11,3%**) e Extração de Minerais Metálicos (**10,9%**). No entanto, a indústria brasileira ainda apresenta um cenário heterogêneo, com retrações em segmentos como Indústria Química (**-4%**), Telecomunicações (**-3,6%**) e Metalurgia (**-3,1%**).
Por outro lado, o Ambiente de Contratação Regulada (**ACR**), atendido pelas distribuidoras, registrou uma queda de 4,1% no consumo, totalizando 43.099 **MW** médios. A **CCEE** atribui essa retração não apenas à migração natural de consumidores para o mercado livre, mas também a fatores climáticos. Temperaturas mais amenas nas regiões Sul e Sudeste diminuíram a demanda por climatização, afetando o consumo no mercado cativo.
Regionalmente, o Pará se destacou com o maior crescimento de demanda (**7,1%**), impulsionado pela mineração, seguido por Sergipe (**6,8%**) e Amazonas (**5,7%**). O fechamento do trimestre sinaliza que, enquanto o clima influencia o consumo geral, a migração para o mercado livre de energia se consolida como um pilar para a reestruturação do setor, oferecendo maior controle e segurança energética para as empresas.






















