A expansão do biometano no transporte brasileiro pode cortar drasticamente a dependência do diesel importado, alavancando a sustentabilidade e a competitividade do setor.
A consolidação do biometano como alternativa ao diesel no setor de transportes brasileiro pode representar uma redução de até 50% nas importações do combustível fóssil em um horizonte de dez anos. A projeção foi apresentada por Tomás Manzano, presidente da Copersucar, durante o lançamento do projeto BioRota, um marco logístico sustentável que visa a exportação de açúcar a partir de caminhões movidos a biometano.
A iniciativa pioneira, que conecta usinas de etanol no interior paulista ao Porto de Santos, demonstra o potencial de aproveitamento de subprodutos da indústria sucroalcooleira. Manzano destacou que a matéria-prima para a produção do biometano, a vinhaça, já está disponível nas usinas, sendo uma questão de tempo e prioridade de investimento para a adoção em larga escala.
A visão da liderança da Copersucar é que a transição para o biometano nas usinas de etanol brasileiras é um movimento irreversível. A empresa acredita que, em breve, todas as unidades produtoras de açúcar e etanol no país contarão com suas próprias plantas de produção deste biocombustível avançado.
O contexto atual reforça a urgência dessa mudança. O Brasil, que atualmente importa cerca de 20% do diesel que consome, tem sua segurança energética afetada por tensões geopolíticas. A paralisação de rotas de navegação importantes, como o Estreito de Ormuz, eleva a preocupação com a oferta e os preços dos derivados de petróleo, tanto para o setor produtivo quanto para o governo.
Copersucar Lidera Transformação na Logística com Biometano
No âmbito da própria Copersucar, a adoção de veículos a biometano já é uma realidade. Cerca de 15% da frota de caminhões responsável pelo transporte de açúcar foi convertida para o uso deste biocombustível, gerado a partir de resíduos da cana-de-açúcar. Este projeto de economia circular já opera com mais de 70 caminhões movidos a biometano.
A produção deste combustível limpo é realizada em duas unidades da Cocal, acionista da Copersucar, no oeste paulista. Juntas, essas plantas são capazes de gerar até 85 mil metros cúbicos de biometano diariamente durante o período de safra. A projeção é ambiciosa: até março de 2026, a meta é substituir aproximadamente 5 milhões de litros de diesel, evitando a emissão de mais de 8 mil toneladas de CO2.
Manzano ressaltou os benefícios práticos da iniciativa: “A BioRota traduz, na prática, como a Copersucar transforma sustentabilidade em ganho operacional e competitividade. É uma solução escalável e economicamente viável, que acelera a descarbonização do transporte pesado e reforça o papel do Brasil na transição energética global”. A expectativa é que, em dez anos, as usinas associadas à Copersucar adicionem uma produção diária de 2 a 4 milhões de metros cúbicos de biometano.
Apesar do otimismo, a expansão da frota de caminhões a biometano enfrenta desafios. A limitação de pontos de abastecimento, considerando a autonomia de cerca de 600 km dos veículos, é um obstáculo. Contudo, a empresa confia que o crescimento da demanda impulsionará a expansão da infraestrutura de postos. Outro ponto logístico a ser superado é a cadeia de suprimento e transporte dos botijões de biometano.
Mandato do Biometano como Catalisador de Investimentos
Um fator determinante para o avanço da produção e uso do biometano é o recente estabelecimento do mandato para este biocombustível. A legislação, implementada neste ano de forma excepcional, prevê uma meta de 0,5% de redução nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) no mercado de gás natural. A partir de 2026, com a Lei do Combustível do Futuro, o percentual de descarbonização exigido aumentará gradualmente.
Essa diretriz, que será monitorada e ajustada pelo Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), é vista como um poderoso incentivo para investimentos na cadeia produtiva do biometano. A expansão da infraestrutura de abastecimento e a maior oferta do biocombustível são cruciais para que o Brasil atinja seus objetivos de descarbonização e fortaleça sua posição como líder em energia limpa.





















