A Copersucar revolucionou sua logística ao adotar o biometano produzido a partir da cana-de-açúcar, eliminando milhões de litros de diesel e impulsionando a eficiência econômica do setor sucroenergético.
A Copersucar, gigante que responde por um terço da movimentação de açúcar e etanol no Brasil, deu um passo decisivo em direção à descarbonização de suas operações. Com o lançamento do projeto BioRota, a cooperativa trocou o combustível fóssil pelo gás renovável em uma frota de 70 caminhões, conectando usinas do interior de São Paulo ao Porto de Santos.
Desde o início das operações, em abril de 2024, a iniciativa já alcançou números expressivos. A substituição do diesel evitou o lançamento de 8 mil toneladas de CO2 na atmosfera, provando que a logística verde pode ser aplicada em grande escala, unindo metas ambientais a uma estratégia de negócio robusta e sustentável.
Viabilidade econômica como motor da mudança
Embora o ganho ecológico seja notável, o principal impulsionador do projeto é a eficiência financeira. A transição energética se justifica pelos custos operacionais reduzidos, que tornam a operação mais competitiva. Ao utilizar resíduos como vinhaça e torta de filtro para gerar energia, a cooperativa cria um ciclo produtivo mais eficiente.
“O uso do biometano é de 20% a 25% mais barato, diferença suficiente para remunerar o ativo e trazer retorno para o investidor.”
Para viabilizar a mudança, a Copersucar firmou parcerias estratégicas com transportadoras como Reiter Log, Transvale, GetOne, Rodomacro e JR. A cooperativa oferece contratos de frete de longo prazo, garantindo que o combustível renovável esteja disponível para essas frotas, que hoje representam 14% do volume total de açúcar transportado pela empresa.
Gargalos e o futuro do combustível limpo
Apesar dos resultados positivos, a escalabilidade da BioRota depende da superação de desafios estruturais. O investimento inicial para a construção de plantas de biometano é elevado, oscilando entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões, o que exige um planejamento de capital rigoroso.
Outro ponto de atenção são as limitações técnicas dos caminhões atuais para o transporte pesado. No entanto, o cenário deve mudar até 2027, com o avanço tecnológico das montadoras. O suporte regulatório, especialmente a Lei do Combustível do Futuro, surge como o pilar fundamental para garantir o crescimento do setor, estabelecendo metas que devem atrair novos investimentos e consolidar o biometano como peça-chave na matriz energética brasileira.






















