A plataforma mBridge, inovação em pagamentos transfronteiriços, alcança maturidade técnica e opera sob nova gestão multilateral, prometendo revolucionar o fluxo financeiro global.
Um projeto robusto de tecnologia financeira, desenhado para modernizar a arquitetura de pagamentos transfronteiriços, ganha um novo capítulo no cenário global. A iniciativa, conhecida como mBridge, emerge como uma alternativa promissora aos métodos tradicionais, buscando simplificar e acelerar as transferências internacionais e as operações de câmbio entre instituições participantes.
O ponto mais relevante desta evolução é a transição da mBridge para uma gestão independente. Após o anúncio de sua saída pelo BIS Innovation Hub, a plataforma agora segue sob a liderança de um consórcio de autoridades monetárias asiáticas e do Oriente Médio, marcando uma fase crucial para seu desenvolvimento e potencial impacto no sistema financeiro global.
Um Salto na Arquitetura de Pagamentos Globais
A mBridge foi concebida em 2021 com um objetivo claro: contornar as complexidades e os gargalos do sistema de bancos correspondentes. Esse modelo tradicional é frequentemente criticado por seus altos custos, lentidão nas liquidações e riscos operacionais inerentes. Ao substituir essa infraestrutura por uma rede blockchain própria, o mBridge Ledger, a plataforma permite a liquidação direta e em tempo real de transações, eliminando intermediários desnecessários.
Consolidação e Expansão Multilateral
O desenvolvimento da mBridge foi fruto de uma colaboração inicial entre o BIS Innovation Hub e bancos centrais de nações como a Tailândia, os Emirados Árabes Unidos, a China (por meio do Instituto de Moeda Digital do Banco Popular) e Hong Kong. Em 2024, o projeto ganhou um novo membro de peso com a entrada do Banco Central Saudita, ampliando ainda mais sua base de apoio.
Os números atestam a relevância crescente da plataforma: já foram movimentados US$ 55,5 bilhões em mais de 4 mil operações. Curiosamente, o yuan digital se destaca como a moeda predominante, respondendo por cerca de 95% do volume liquidado, sublinhando sua crescente utilização em liquidações internacionais.
A Virada do BIS e Novas Dinâmicas
Um marco significativo ocorreu em outubro de 2024, quando o BIS Innovation Hub anunciou sua saída do projeto mBridge. A justificativa foi que a iniciativa havia alcançado uma maturidade técnica suficiente para prosseguir de forma autônoma. Desde então, a gestão da mBridge está nas mãos das autoridades monetárias da China, Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. É notável a ausência de bancos centrais ocidentais no grupo gestor.
Em um movimento paralelo, o BIS lançou o Projeto Agorá, em parceria com instituições alinhadas ao G7 e bancos privados internacionais. Essa iniciativa visa explorar e testar outros modelos de liquidação, sugerindo uma possível fragmentação nas abordagens globais para o futuro dos pagamentos internacionais.
“Apesar do crescente volume de transações por redes digitais regionais, os dados internacionais ainda apontam para a resiliência da hegemonia das moedas globais tradicionais.”
A Lenta Mudança na Hegemonia Monetária
Apesar do avanço de redes digitais como a mBridge, a hegemonia das moedas globais tradicionais, em particular o dólar, persiste. Estatísticas do FMI revelam que no primeiro trimestre de 2026, o dólar mantinha 57,13% das reservas cambiais declaradas globalmente. A participação do yuan, por sua vez, situava-se em 1,99%. No que tange aos pagamentos globais via rede Swift, a moeda chinesa representava entre 2,75% e 3,1% no mesmo período, indicando que a jornada para uma reconfiguração completa das dinâmicas monetárias ainda é longa.
A transição da mBridge para uma gestão independente e a sua consolidação com uma base forte em economias asiáticas e do Oriente Médio representam um passo significativo na evolução dos pagamentos transfronteiriços. A plataforma oferece um vislumbre de um futuro mais eficiente e menos custoso para as finanças globais. No entanto, o cenário futuro é complexo, com iniciativas concorrentes como o Projeto Agorá e a persistência da dominância de moedas tradicionais. O desenvolvimento da mBridge, com sua forte aposta em blockchain e no yuan digital, continuará a ser um termômetro importante para as transformações do sistema financeiro global nos próximos anos.





















