Manifesto em defesa do LRCap alerta para riscos econômicos bilionários, superando R$ 970 bilhões, se o Brasil não garantir potência suficiente para a segurança elétrica.
Em um momento crucial para o debate sobre a infraestrutura energética do país, a Associação Brasileira de Geradoras Térmicas (Abraget), juntamente com um grupo influente de 15 especialistas do setor, lançou um manifesto robusto. O documento visa solidificar a importância do leilão de reserva de capacidade na modalidade de potência, conhecido como LRCap. A iniciativa surge como uma resposta direta às diversas críticas sobre o impacto desses certames nos consumidores e na dinâmica do mercado de energia elétrica.
A principal mensagem do manifesto é clara: o custo da contratação de nova potência deve ser avaliado em relação aos prejuízos econômicos que podem ser evitados. Os autores do estudo projetam um cenário alarmante, onde a ausência de planejamento e contratação de capacidade firme poderia resultar em perdas de até R$ 970 bilhões ao longo dos próximos 15 anos. Esse montante considera os riscos iminentes de blecautes, restrições no fornecimento e até mesmo potenciais racionamentos, impactando diretamente a estabilidade do sistema elétrico brasileiro.
A Defesa da Confiabilidade Energética
O LRCap, em sua edição de março de 2026, contratou cerca de 19 GW de potência, um volume considerado essencial para a garantia da segurança energética. O custo total dessa contratação é estimado em aproximadamente R$ 515,7 bilhões ao longo do período de concessão. Apesar das discussões sobre o impacto nos consumidores, os especialistas argumentam que o leilão aderiu rigorosamente aos critérios técnicos estabelecidos pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), com foco em manter a probabilidade de perda de carga (LOLP) abaixo de 5%.
O manifesto sublinha que o LRCap atua como uma ferramenta de confiabilidade permanente, indo além da simples cobertura de picos de demanda. A necessidade de um volume maior de contratação justifica-se pela ausência de leilões similares desde 2021 e pela iminente saída de operação de cerca de 14 GW de usinas termelétricas existentes, cujos contratos se encerram em breve.
Cenário de Riscos e Custos Evitados
Detalhando os custos potenciais evitados, os autores do manifesto estimam que R$ 210 bilhões seriam prevenidos em prejuízos diretos causados por blecautes. Adicionalmente, R$ 760 bilhões seriam poupados em cenários de racionamento de energia. A soma desses valores solidifica o argumento de que a prevenção é significativamente mais econômica do que a remediação em caso de falhas na matriz elétrica.
Preços e Flexibilidade: Um Olhar Necessário
Outro ponto abordado pelo manifesto é a elevação dos preços-teto nos leilões. Os especialistas justificam essa tendência como uma necessidade impulsionada pela escalada global nos custos de equipamentos e pela crescente demanda por requisitos de flexibilidade operacional. O sistema elétrico moderno exige usinas capazes de se adaptar rapidamente às flutuações da geração de energia renovável intermitente, como a solar e a eólica, o que encarece a construção e a operação.
Tecnologias Emergentes e a Realidade Operacional
O documento também rebate a percepção de que sistemas de armazenamento em baterias (BESS) poderiam, no estágio atual, substituir as usinas termelétricas no papel de garantia de capacidade firme. A tecnologia de baterias, embora promissora para a transição energética e o avanço da energia limpa, ainda não oferece a mesma confiabilidade e a capacidade de operação contínua por 24 horas necessárias para a segurança e estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).
A tecnologia de armazenamento em baterias, embora promissora, ainda não oferece a robustez operacional e a disponibilidade contínua de 24 horas necessárias para a base do sistema elétrico brasileiro.
A discussão em torno do LRCap e da necessidade de contratação de potência firme evidencia a complexidade da transição energética no Brasil. O manifesto reforça que a garantia de segurança energética é um pilar fundamental para o desenvolvimento econômico e social do país. Ao quantificar os custos de uma eventual falha no planejamento, o documento projeta a urgência de políticas que equilibrem o avanço da energia sustentável com a resiliência do sistema elétrico. Os próximos passos no setor dependerão de como essas projeções serão integradas às decisões de longo prazo sobre a matriz de geração de energia, garantindo um futuro mais seguro e previsível para todos os consumidores.























