A ISA Energia questiona as diretrizes do leilão de reserva de capacidade para baterias, apontando que exigências de repasse de receita podem afastar transmissoras e prejudicar a competitividade do certame.
A proximidade do leilão de reserva de capacidade (LRCap) para baterias, agendado para dezembro, trouxe à tona preocupações estratégicas para o setor de transmissão.
Segundo a ISA Energia, o atual desenho regulatório impõe barreiras que desestimulam a entrada de empresas de transmissão na disputa, principalmente devido à exigência de que eventuais ganhos sejam compartilhados em prol da modicidade tarifária.
Para a diretora de Finanças e Relações com Investidores da companhia, Silvia Wada, o cenário é contraditório.
Embora o modelo operacional de sistemas de armazenamento de energia guarde semelhanças com a expertise das transmissoras — fundamentada na construção e na manutenção de disponibilidade de ativos —, as regras impostas pela Procuradoria Federal junto à Aneel criam um desincentivo econômico direto para esses players.
Incertezas e riscos regulatórios
Além das restrições sobre a receita, a companhia aponta uma instabilidade normativa que envolve o rateio do encargo responsável pela remuneração do certame.
O temor é de que mudanças legislativas em curso no Congresso alterem a base de pagadores, gerando um ambiente de insegurança jurídica que impacta diretamente na análise de risco dos investidores.
Silvia Wada afirmou:
A gente entende que não faz sentido, considerando que isso praticamente inviabiliza a participação desse tipo de player, diminuindo a competição.
A declaração foi dada durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre de 2026.
A executiva reforçou que, mesmo com a publicação do edital, a empresa mantém uma postura cautelosa quanto à sua participação no leilão.
O setor aguarda definições sobre a possível reversão da lei que hoje atribui aos geradores o ônus do encargo, o que pode transformar radicalmente a viabilidade financeira dos projetos de baterias.
Perspectivas e agenda regulatória
Paralelamente aos desafios no LRCap, a ISA Energia já mira a agenda de 2027.
O foco da companhia, em conjunto com a Abrate (Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica), será a revisão dos parâmetros do WACC (taxa de remuneração regulatória sobre investimentos).
A metodologia atual, estabelecida em 2018, deve passar por uma atualização profunda dentro dos ciclos dos ProRet (Procedimentos de Revisão Tarifária).
No campo financeiro, a empresa mantém uma trajetória de crescimento, sustentada por novos ativos como os projetos Serra Dourada e Itatiaia.
Com um lucro líquido regulatórido de R$ 1,9 bilhão registrado no terceiro trimestre de 2026, a ISA Energia projeta um aumento gradual na alavancagem para 4 vezes até 2028, patamar que considera saudável para o perfil de previsibilidade do seu modelo de negócio.
O futuro, no entanto, permanece condicionado à evolução da regulação do mercado de baterias e aos próximos passos da política energética nacional.









