A Huawei lançou na América Latina uma solução unificada que integra energia solar, baterias e carregadores ultrarrápidos, eliminando gargalos estruturais na rede elétrica para a mobilidade elétrica.
O mercado automotivo brasileiro vive um boom sem precedentes. Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o país fechou o ano de 2025 com um recorde histórico, superando a marca de 223 mil veículos eletrificados comercializados. No entanto, a infraestrutura de recarga ainda enfrenta desafios para acompanhar esse ritmo: especialistas da IEA (International Energy Agency) apontam a necessidade de pelo menos um eletroposto público para cada 10 veículos elétricos em circulação.
Um dos principais obstáculos para essa expansão é a capacidade da rede elétrica local de suportar o carregamento ultrarrápido, que exige um volume massivo de potência. Segundo dados de mercado, o número de modelos de veículos que exigem carregamento ultrarrápido saltou de 19 opções em 2022 para mais de 200 em 2025, com baterias que demandam picos de até 1000 kW. O problema é que grande parte da infraestrutura atual, como os postos de combustíveis convencionais, possui capacidade inferior a 300 kVA.
Até então, atualizar o sistema para suportar essa nova geração de veículos exigia obras civis dispendiosas e demoradas junto às concessionárias de energia elétrica para a troca de cabeamentos e subestações. Para resolver esse desafio estrutural, a Huawei anunciou durante o Latam Mobility 2026 a chegada de sua solução PV+ESS+Charger à América Latina. Bruno Zavaleta, diretor de desenvolvimento de negócios da Huawei Digital Power para a América Latina, detalhou como a tecnologia permite democratizar o carregamento ultrarrápido ao contornar as limitações da infraestrutura elétrica.
Tecnologia integrada e escalabilidade
A inovação é a integração 100% nativa de três tecnologias críticas em um ecossistema de ponta a ponta: PV (Photovoltaic) para geração de energia solar, ESS (Energy Storage System) para armazenamento em baterias de grande capacidade e carregadores ultrarrápidos refrigerados a líquido. A solução foi desenhada com alta modularidade, o que não exige expansão da capacidade da rede concessionária. Para projetos de pequeno a médio/grande porte, a tecnologia é ideal para shoppings, supermercados, centros urbanos, parques de escritórios e campi universitários. Já para operações de grande escala, a Huawei oferece estações híbridas que alcançam 5 MWh de capacidade, atendendo mineração e frotas logísticas.
Modelo de negócio e rentabilidade
Diferente das soluções fragmentadas, a Huawei fornece um ecossistema unificado, com hardware e software de desenvolvimento próprio. Sem gargalos de integração, o sistema opera de forma harmonizada. A inteligência do sistema utiliza as baterias (ESS) para armazenar energia e descarregá-la com força total durante o carregamento, evitando picos na rede. Segundo Bruno Zavaleta, essa integração transforma a infraestrutura de recarga em um negócio rentável.
“O nosso objetivo é transformar a infraestrutura de recarga em um modelo de negócio rentável para os nossos parceiros. Através de tecnologias exclusivas como o Power Pooling e a arbitragem inteligente de energia, conseguimos maximizar a utilização dos recursos e aumentar a rotatividade das estações em até cinco vezes”
A tecnologia de Power Pooling permite que o software divida a energia de forma inteligente, redirecionando a potência excedente para os veículos. Com um forte viés B2B, a solução também viabiliza a arbitragem TOU (Time of use): o operador pode carregar as baterias durante a madrugada, com tarifas menores, e utilizar essa energia armazenada para o abastecimento durante o dia, quando a demanda é maior.
Segurança e Sustentabilidade
O aumento da potência de carga exige padrões rigorosos de proteção contra aquecimentos e falhas. A arquitetura da Huawei inclui resfriamento líquido nos carregadores, proteção contra arco elétrico e um sistema ativo de supressão de incêndio nas baterias. A eficiência do sistema já foi comprovada internacionalmente.
No Campus de Futian, em Shenzhen, a tecnologia foi aplicada para criar um ambiente de carbono quase zero, gerando 3,6 milhões de kWh de energia por ano e reduzindo as emissões de carbono locais em mais de 53%. Essas inovações reforçam o compromisso da marca com uma economia zero carbono e o uso de fontes renováveis.






















