A nova escalada no conflito entre EUA e Irã disparou o preço do barril de petróleo, forçando o governo a reavaliar a política de subsídios aos combustíveis sob pressão do agronegócio.
A cotação internacional do petróleo registrou um salto de 6% nesta quarta-feira (8), reflexo direto da deterioração das relações diplomáticas e militares entre Washington e Teerã. O anúncio do fim das tratativas de cessar-fogo feito por Donald Trump, somado a ataques recentes no Bahrein, Kuwait e território iraniano, criou um cenário de incerteza que impacta diretamente a estratégia econômica do governo Lula.
A instabilidade global complicou os planos da equipe do ministro Dario Durigan, da Fazenda, que pretendia descontinuar o subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina. Com o mercado de energia sob estresse, o Poder Executivo enfrenta um embate no Congresso em torno do PLP 114/2026, projeto visto como um termômetro da relação com a bancada ruralista e essencial para a contenção dos preços dos combustíveis no mercado doméstico.
O impasse entre Planalto e bancada ruralista
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB), lidera os esforços para articular um entendimento sobre o PLP 114/2026. A negociação é estratégica, dado que Motta mantém laços estreitos com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), grupo fundamental para suas pretensões eleitorais no Legislativo.
Enquanto a Fazenda defende a retirada gradual dos benefícios para aliviar o caixa, o setor agropecuário utiliza a tramitação para blindar a competitividade do etanol e buscar novas fontes de financiamento. A relatora do projeto, Marussa Boldrin (Republicanos/GO), chegou a incluir salvaguardas para biocombustíveis e propôs o uso de receitas extras da exportação de petróleo para socorrer dívidas do campo, o que travou o avanço da proposta devido à resistência governista.
A disputa pelo “PL da Dívida”
Paralelamente ao debate sobre combustíveis, o setor rural pressiona pela aprovação do PL 5122/2023, que estende a todo o território nacional o suporte financeiro destinado aos produtores gaúchos afetados por desastres climáticos. O governo alerta para um custo fiscal elevado:
“O projeto pode representar um impacto bilionário superior a R$ 140 bilhões em pouco mais de uma década, comprometendo recursos estratégicos como o Fundo Social do Pré-sal.”
Embora o governo tenha sinalizado a edição de uma Medida Provisória (MP) mais enxuta para atender aos produtores em dificuldades, o agronegócio impõe condições severas. A exigência é que a MP incorpore pontos do polêmico PL 5122, incluindo prazos de pagamento estendidos e taxas de juros abaixo daquelas sugeridas pela equipe econômica.
A resolução deste impasse permanece incerta. Nos bastidores, corre o risco de que o setor aceite uma medida emergencial imediata, mas mantenha a ofensiva para aprovar o texto integral do projeto de lei, mesmo contra a vontade do Ministério da Fazenda. O cenário reforça a fragilidade das contas públicas brasileiras diante das flutuações geopolíticas do petróleo e da força política da bancada ruralista.























