Com uma ambição de 50% do mercado, a Kraken, plataforma de Inteligência Artificial por trás do sucesso da Octopus no Reino Unido, prepara sua chegada ao Mercado Livre de Energia brasileiro, prometendo revolucionar o setor com dados e eficiência.
A Kraken, renomada por sua atuação em mais de 15 países e na gestão de mais de 90 milhões de contas de usuários de serviços públicos, vislumbra no processo de abertura do Mercado Livre de Energia brasileiro uma oportunidade estratégica de expansão. A empresa, desenvolvedora de uma avançada plataforma de gestão baseada em dados, machine learning e inteligência artificial, busca otimizar as operações do setor, gerando ganhos significativos em tarifas, oferta e consumo para o cenário de energia limpa do Brasil.
Este software robusto é a base do êxito da Octopus, uma comercializadora que transformou o panorama energético britânico ao oferecer energia verde com tarifas mais acessíveis, expandindo seu modelo inovador pela Europa e outros continentes. A entrada da Kraken no Brasil representa um marco potencial para a digitalização e a sustentabilidade no setor.
O Impulsionador Global por Trás da Revolução Energética
A trajetória da Kraken é intrinsecamente ligada à ascensão da Octopus. Segundo Devrim Celal, C-level responsável pela área de Flexibilidade e Marketing da Kraken, a Octopus foi originalmente concebida como um “cliente piloto” para validar o modelo da plataforma.
“E esse piloto se tornou a maior varejista do Reino Unido“, afirmou o executivo em entrevista à MegaWhat.
Em um movimento estratégico em setembro de 2025, a Octopus realizou o spin-off da Kraken, tornando-a uma entidade independente. Desde então, sua tecnologia de ponta tem sido disponibilizada para diversas concessionárias e prestadores de serviços públicos, abrangendo a gestão de clientes, geradores e distribuidores.
Ambição e Potencial no Cenário Brasileiro
Com o olhar fixo na iminente abertura do Mercado Livre de Energia para a baixa tensão, a Kraken planeja sua chegada ao solo brasileiro. Devrim Celal expressa grande entusiasmo, destacando o papel do país. “Vocês já são o maior sistema verde do mundo e, em novembro de 2028, vocês se tornam o maior mercado varejista competitivo do mundo. Para nós, é muito empolgante”, ressaltou Celal.
A empresa demonstra uma ambição considerável para o Brasil, visando uma fatia de mercado de pelo menos 50% no segmento de softwares corporativos para energia. A estratégia, conforme Celal, é forjar parcerias sólidas com empresas que compartilham os valores de sustentabilidade, inovação e colaboração. A busca por parceiros locais já em 2026 é crucial, visando a abertura total do mercado no final de 2028.
Estratégia de Implementação e Tendências de Mercado
A experiência internacional da Kraken sugere que a implementação de seu sistema em um mercado como o Brasil pode levar aproximadamente um ano. O plano envolve iniciar com grupos menores de clientes e expandir gradualmente, ajustando o sistema conforme a validação e as necessidades locais. A adesão da baixa tensão ao Mercado Livre, embora esperada para ser gradual, pode ser acelerada pela alta digitalização da população e pelo avanço da eletrificação e mobilidade elétrica no país.
Engajamento do Cliente e Incentivos Tarifários
A Kraken se destaca por sua abordagem inovadora na interação com os consumidores. Utilizando um sistema intensivo em dados, a empresa desenvolve estratégias para se aproximar dos clientes e compreender profundamente seus padrões de consumo. Essa filosofia contrasta com o modelo tradicional do setor, onde a fidelidade do cliente era garantida pela ausência de alternativas.
No Reino Unido, a Kraken implementou programas com janelas de preços reduzidos e horários de fornecimento de carga definidos pelo provedor, incentivando a flexibilidade do consumo. Um exemplo é a API desenvolvida pela Octopus, que permite a dispositivos elétricos operarem automaticamente durante faixas de preços pré-determinadas, como no carregamento de veículos elétricos. Tais iniciativas, como as “Saving sessions”, resultaram em 1,3 milhões de adesões e 3,5 GW de carga deslocada para horários incentivados, conforme apresentado por Celal no Energy Summit no Rio de Janeiro.
O Futuro com Inteligência Artificial e Dados Abertos
Ao abordar as inovações em Inteligência Artificial (IA) para o mercado de energia, Devrim Celal vislumbra um futuro com agentes autônomos que cooperam em tarefas como monitoramento, análise de comportamento do consumidor e até mesmo conformidade regulatória. Ele enfatiza que essas transformações não estão distantes, mas sim a “muitos meses” de se concretizarem. Para o funcionamento eficaz desses sistemas de IA, o acesso irrestrito a dados é fundamental. Celal conclui, enfaticamente, que “A era dos sistemas fechados acabou”, indicando uma transição para plataformas abertas que capacitam as concessionárias a desenvolverem seus próprios agentes inteligentes.
A iminente chegada da Kraken ao Mercado Livre de Energia brasileiro promete impulsionar a inovação e a eficiência, remodelando a forma como o Brasil interage com a energia. Com sua expertise em dados, Inteligência Artificial e sustentabilidade, a plataforma tem o potencial de não apenas otimizar o consumo e as tarifas, mas também de solidificar a posição do Brasil como um líder global em energia renovável e mercado varejista competitivo. Este é um passo significativo para a modernização do setor, alinhando o país às tendências globais de digitalização e um futuro energético mais inteligente e verde.






















