O grupo das sete maiores economias globais, o G7, articula estratégias para diversificar o fornecimento de insumos essenciais, buscando autonomia frente à hegemonia chinesa no setor de minerais críticos.
A cúpula econômica do G7, composta pelos ministros das finanças e presidentes de bancos centrais das nações mais industrializadas, colocou o fortalecimento das cadeias de suprimentos globais no centro de sua agenda estratégica. A iniciativa responde à necessidade urgente de garantir estabilidade para a transição energética e a digitalização da economia, áreas que dependem diretamente de recursos que hoje possuem processamento concentrado sob o controle da China.
O bloco expressou descontentamento com as práticas de mercado que limitam a concorrência global, como restrições unilaterais à exportação e políticas que distorcem a oferta de matérias-primas. O movimento faz parte de uma estratégia contínua, estruturada através de um plano de ação iniciado em meados de 2025, focado em incentivar investimentos massivos tanto na extração quanto na tecnologia de refino de minerais vitais.
A estratégia brasileira e a corrida tecnológica
Embora não componha o grupo das nações do G7, o Brasil busca se posicionar como um player indispensável no cenário internacional. O governo brasileiro tem intensificado agendas diplomáticas para atrair aportes financeiros voltados à industrialização de terras raras e outros minerais estratégicos em território nacional.
Durante reuniões em Paris, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, destacou a importância de criar um ambiente regulatório atrativo. A pauta gira em torno de oferecer segurança jurídica aos investidores estrangeiros para que o país deixe de ser apenas um exportador de matéria-prima bruta e passe a agregar valor tecnológico aos seus recursos naturais.
Soberania e ativos estratégicos
Em paralelo ao movimento diplomático, o Ministério de Minas e Energia, sob o comando de Alexandre Silveira, tem reforçado a diretriz de soberania sobre os ativos minerais do país. O foco está na gestão de áreas como o projeto de terras raras em Minaçu, em Goiás.
“A meta é garantir que o desenvolvimento das nossas reservas minerais caminhe alinhado ao interesse nacional, promovendo parcerias que respeitem a soberania sobre os ativos e impulsionem a economia local com tecnologia de ponta.”
A recente negociação envolvendo o grupo Serra Verde e a empresa norte-americana USA Rare Earth exemplifica essa movimentação do mercado brasileiro. O cenário aponta para uma reconfiguração geopolítica onde o Brasil tenta equilibrar a atração de capital internacional com a necessidade de fortalecer uma cadeia de suprimentos própria e soberana para os desafios tecnológicos das próximas décadas.























