O futuro do biocombustível é carbono negativo: FS inaugura tecnologia pioneira no Brasil.
O estado do Mato Grosso será palco de um marco na transição energética brasileira. A partir de 31 de agosto, a usina da **FS**, uma das líderes na produção de etanol de milho, iniciará um processo inovador: a captura e o armazenamento geológico de cerca de 420 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) anualmente. Esta iniciativa não apenas posiciona a empresa como pioneira na América Latina com uma planta de bioenergia que integra captura e estocagem de carbono (BECCS), mas também a capacita a produzir um biocombustível com pegada de carbono negativa em sua totalidade.
Essa tecnologia disruptiva se diferencia de outras aplicações de captura de CO2 pela sua eficiência. Ao contrário de setores como o siderúrgico ou o de cimento, que necessitam de etapas complexas de purificação, os gases emitidos pela usina de etanol da FS, compostos majoritariamente por CO2 e vapor d’água, permitem um processo de separação e captura mais direto. Essa vantagem é amplificada pela localização estratégica da planta, situada sobre a formação geológica da bacia do Parecis.
Geologia Favorável e Investimento Estratégico
A escolha do local para o armazenamento do CO2 não foi aleatória. A bacia do Parecis, no subsolo de Lucas do Rio Verde, apresenta características geológicas ideais para a estocagem de longo prazo, a aproximadamente 1.100 metros de profundidade. Essa condição natural elimina a necessidade de extensos e custosos dutos de transporte, um obstáculo comum em projetos similares.
O ambicioso projeto representa um investimento total de R$ 550 milhões, com apoio financeiro proveniente da **Financiadora de Estudos e Projetos (Finep)** e do **Fundo Clima**, gerido pelo **BNDES**. A confirmação da viabilidade técnica veio após rigorosos estudos de sondagem e perfuração realizados pela **SLB** (anteriormente Schlumberger), gigante global em serviços para o setor de energia.
Marco Regulatório e Oportunidades de Mercado
Paralelamente ao desenvolvimento tecnológico, a **FS** tem atuado ativamente na articulação para o aprimoramento do arcabouço regulatório. A inclusão do armazenamento de carbono na **Lei do Combustível do Futuro**, sancionada em 2024, foi um passo crucial. A legislação define que a **Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)** será responsável por normatizar a atividade, e a FS se posiciona como um projeto piloto para auxiliar nesse processo.
O retorno do investimento se vislumbra em múltiplas frentes. A empresa já comercializou 10% dos créditos de carbono que espera gerar a partir de 2027, com acordos firmados com empresas como a própria **Schlumberger**, o escritório de advocacia **Pinheiro Neto** e a trading de carbono **Rubicon**. Os valores negociados em contratos, como um fechado a US$ 150 por tonelada de CO2 sequestrada, demonstram o alto valor agregado desses créditos no mercado voluntário.
Adicionalmente, o etanol produzido com essa tecnologia oferece uma vantagem competitiva significativa. A **Organização Marítima Internacional (IMO)** já reconhece a baixa pegada de carbono do etanol de milho brasileiro. Com a captura e armazenamento de CO2, a **FS** projeta um índice de 13 gramas negativos de CO2 por megajoule, reforçando o apelo do biocombustível em mercados globais que buscam soluções para descarbonizar o transporte marítimo e aéreo. A conjuntura de instabilidade no fornecimento de combustíveis fósseis e a volatilidade de seus preços também tornam o etanol uma alternativa mais atrativa, combinando sustentabilidade com segurança energética e custo-benefício.
Expansão e Visão de Futuro
O sucesso desta primeira unidade em Lucas do Rio Verde abre caminho para futuras expansões. Outras usinas da **FS** no Mato Grosso, como as de **Sorriso** e **Campo Novo do Parecis**, localizadas em áreas com potencial geológico para armazenamento de carbono, são candidatas naturais para replicar o modelo. A empresa avalia cuidadosamente a capacidade do mercado e a velocidade da transição energética para dimensionar novos investimentos. A estratégia da **FS** demonstra que a produção de biocombustíveis pode ir além da sustentabilidade, tornando-se um vetor de inovação tecnológica e um diferencial econômico em um cenário global cada vez mais focado na descarbonização.






















