Uma nova análise do Bradesco BBI aponta que a transição para a mobilidade elétrica transformará o perfil da frota nacional, impactando o consumo de combustíveis fósseis até 2035.
O cenário da mobilidade sustentável no Brasil está prestes a passar por uma mudança estrutural significativa. De acordo com um estudo recente conduzido pelo Bradesco BBI, a participação de veículos elétricos e híbridos deve saltar para 31% da frota nacional dentro da próxima década. Embora a adesão tenha crescido de forma expressiva — atingindo 16% das vendas atuais, uma marca quatro vezes superior à de 2023.
Essa tecnologia ainda compõe apenas uma pequena fatia dos mais de 36 milhões de automóveis que circulam pelo país.
A projeção indica um avanço constante: o mercado de eletrificados deve representar 10% da frota até 2029, alcançando 20% em 2032 e consolidando a marca de 31% em 2035. Especialistas observam que, apesar da longevidade da frota de combustão, o ritmo de renovação será impulsionado pela tendência de que, ao final desse período, a maioria dos veículos novos emplacados no país já possua algum nível de eletrificação.
Impactos na Segurança Energética e no Setor Sucroenergético
Do ponto de vista da segurança energética, a transição é vista como um movimento positivo. A redução da dependência de derivados de petróleo fortalece a autossuficiência do país e diminui a necessidade de importar gasolina.
Segundo a análise de Filipi Cardoso, economista do banco, a elevação da mistura de etanol anidro e o avanço dos elétricos tendem a reduzir a demanda estrutural por combustíveis líquidos, que deve cair para cerca de 50,7 milhões de litros em 2035.
Essa nova realidade impõe, contudo, um desafio estratégico para a cadeia sucroenergética. Com o mercado interno de combustíveis sob pressão, o setor é incentivado a buscar novos horizontes para o etanol. Aplicações em maquinário agrícola, navegação marítima e a produção de combustível sustentável de aviação (SAF) surgem como alternativas promissoras para manter a relevância econômica da produção doméstica de biocombustíveis.
Infraestrutura e o Futuro do Sistema Elétrico
A expansão da frota eletrificada depende diretamente da robustez da infraestrutura de recarga, que tem crescido aceleradamente, saltando de 800 pontos de carregamento em 2021 para mais de 14,8 mil em 2025. O Bradesco BBI projeta que, com 11,8 milhões de eletrificados rodando em 2035, a demanda por energia elétrica para abastecimento poderá atingir 13,5 TWh, um salto expressivo que exigirá investimentos contínuos em eficiência e planejamento de rede.
Por fim, o estudo coloca em pauta uma questão fiscal importante: o impacto na arrecadação tributária. Como uma parcela significativa dos impostos federais e estaduais está vinculada ao consumo de combustíveis fósseis, o avanço da eletrificação veicular deve forçar uma revisão futura no modelo de tributação nacional.
O debate sobre essa transição, portanto, vai muito além da tecnologia automotiva, envolvendo escolhas cruciais para a sustentabilidade econômica e energética do Brasil nas próximas décadas.
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