Uma iniciativa ambiciosa no Nordeste promete impulsionar a economia verde e atrair investimentos bilionários.
O Nordeste brasileiro surge como epicentro de uma nova era de desenvolvimento sustentável com o lançamento do Fórum Powershoring. A iniciativa, liderada pelo Consórcio do Nordeste, Banco do Brasil e o Instituto Clima e Sociedade (iCS), visa desbloquear um potencial de R$ 77 bilhões em investimentos industriais de baixo carbono na região até 2030.
A meta ambiciosa baseia-se na vasta capacidade de geração de energia renovável já instalada, que servirá como alavanca para a criação de novas cadeias produtivas sustentáveis.
O foco principal do fórum recai sobre setores estratégicos como os combustíveis sustentáveis, um campo promissor para a descarbonização de atividades como a aviação e o transporte marítimo.
A projeção do Fórum Powershoring vai além dos aportes financeiros: espera-se uma redução significativa de emissões, estimada em 20 milhões de toneladas de CO2 equivalente, além de um impulso de pelo menos 5% no percentual de compras e contratações de fornecedores locais, fortalecendo a economia regional.
Victoria Santos, gerente de Energia e Indústria do iCS, ressalta:
O Brasil e a região Nordeste, em particular, têm esse potencial de ser um hub de soluções de baixo carbono para o mundo.
A estratégia do fórum envolve a identificação detalhada das prioridades e oportunidades em cada um dos nove estados nordestinos, buscando estruturar cadeias de valor e corredores verdes que acelerem o desenvolvimento de projetos investíveis.
Um estudo encomendado pelo próprio fórum detalha o impacto econômico projetado. Cenários otimistas indicam a atração de até US$ 60 bilhões em investimentos, com um acréscimo de 3,6% no PIB regional.
Jorge Arbache, economista e autor do estudo, afirma:
O Nordeste já dispõe de ativos competitivos no cenário internacional. O diferencial decisivo será a capacidade de organizá-los em uma estratégia integrada.
Neoindustrialização Verde como Motor de Desenvolvimento
A proposta se alinha com a visão de neoindustrialização verde apresentada pelo consórcio de governadores do Nordeste em 2025. Diante dos desafios de equilibrar a geração renovável com a demanda e os cortes de energia, a região busca transformar seu potencial energético em vantagem competitiva.
Setores como o hidrogênio verde, a química verde e os fertilizantes sustentáveis são vistos como pilares dessa transformação.
Para viabilizar esse avanço, o Fórum Powershoring define prioridades claras, incluindo o planejamento coordenado da expansão da infraestrutura de geração e transmissão de energia, a organização de corredores industriais, a otimização logística e portuária, o fortalecimento de instrumentos financeiros e o investimento em capacitação profissional.
Pedro Lima, subsecretário de Programa do Consórcio Nordeste, explica:
Um dos grupos de trabalho prioritários tem como seu objetivo central identificar, de um lado, os potenciais locais da região e, de outro, os mercados prioritários onde existe uma demanda que a gente possa integrar essas cadeias de valor.
A busca por parceiros internacionais para um fundo de fomento a novos mercados já está em curso.
Combustíveis Sustentáveis em Destaque
Estados como Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte já lideram avanços na implementação de hubs de hidrogênio verde, com foco na exportação. A agregação de valor se manifesta na produção de combustíveis sustentáveis, uma área priorizada pelo Fórum Powershoring.
Exemplos concretos já emergem, como o contrato assinado no Porto de Suape (PE) para a instalação de uma fábrica de e-metanol, com investimento inicial de R$ 2 bilhões.
No Porto do Pecém (CE), projeções apontam para centenas de bilhões em investimentos em data centers e plantas de produção de hidrogênio, com empresas como Qair, Casa dos Ventos e Fortescue já anunciando projetos de grande porte para a produção de amônia verde e hidrogênio verde.
A articulação dessas iniciativas pelo Fórum Powershoring visa criar um ecossistema industrial robusto e de baixo carbono, consolidando o Nordeste como um polo de inovação e sustentabilidade em escala global. A sinergia entre as metas de investimento, a redução de emissões e o desenvolvimento econômico regional posiciona a região na vanguarda da transição energética.”
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