O varejo físico demonstrou resiliência surpreendente, registrando crescimento no fluxo de clientes em períodos pré-eleitorais de 2018 e 2022, desafiando a percepção de retração.
Tradicionalmente, a proximidade de eleições presidenciais costuma ser associada a um clima de incerteza econômica, levando muitos setores a antecipar uma possível desaceleração no consumo. No entanto, um levantamento recente da Seed Digital trouxe uma perspectiva diferente para o varejo físico brasileiro, revelando um cenário de crescimento nos dois últimos ciclos eleitorais.
A análise aponta que, ao contrário do esperado, as eleições presidenciais não afastaram os consumidores das lojas de rua e shoppings, indicando uma robustez notável do setor mesmo em momentos de grande efervescência política. Este dado reestrutura a compreensão sobre o impacto direto do calendário eleitoral no comportamento de compra.
Resiliência do Consumo em Anos Eleitorais
Os números apresentados pela Seed Digital são claros: em setembro de 2018, o fluxo de clientes no varejo físico experimentou um crescimento de 5% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Quatro anos depois, em setembro de 2022, essa expansão foi ainda maior, atingindo 7,8% em relação a 2021.
Essa tendência positiva não se limitou apenas ao mês de setembro. A semana que antecedeu o primeiro turno das votações também manteve a alta, com um aumento de 3,6% em 2018 e 3,3% em 2022. Esses índices reforçam a ideia de que a população continuou frequentando os estabelecimentos comerciais, mesmo diante do clima político intenso.
O CEO da Seed Digital, Sidnei Raulino, comentou sobre o significado desses resultados para o setor:
Os dados coletados contribuem significativamente para relativizar a noção de que a incerteza inerente aos períodos eleitorais tende a paralisar o consumo na reta final das campanhas.
Análise dos Indicadores
O detalhamento dos dados confirma a força do varejo nos meses pré-eleitorais:
- Em setembro de 2018, o fluxo de consumidores cresceu 5% frente a 2017.
- Em setembro de 2022, houve um avanço de 7,8% em comparação a 2021.
- Nas semanas que antecederam a primeira rodada de votação, as altas foram de 3,6% (2018) e 3,3% (2022).
É importante notar, contudo, que os resultados para o mês de outubro apresentaram variações. Enquanto em 2018 houve um avanço de 2,9% no fluxo de clientes, em 2022 o mês registrou um recuo de 3,6%.
Perspectivas para o Futuro do Varejo
Embora os dados da Seed Digital sirvam como uma valiosa referência histórica para futuras disputas, como a de 2026, a empresa faz um alerta crucial: esses números não possuem caráter preditivo. A principal mensagem é que o varejo deve evitar antecipar cenários de retração ou pessimismo excessivo com base unicamente no calendário eleitoral.
A resiliência observada nos últimos ciclos sugere que o comportamento do consumidor pode ser mais complexo e menos suscetível a paralisações por fatores políticos do que se imaginava. Compreender essas nuances é fundamental para que as empresas possam planejar suas estratégias de forma mais assertiva, sem ceder a percepções generalizadas que nem sempre se confirmam na prática. A lição é clara: o setor deve focar na adaptabilidade e na inovação, independente do cenário político.















