Os planos de governo de Flávio Bolsonaro e Lula revelam uma convergência estratégica para a transição energética, priorizando biocombustíveis, modernização da rede elétrica e novas tecnologias de armazenamento.
A corrida eleitoral de 2026 trouxe uma surpresa no campo das diretrizes para a infraestrutura do país. Ao oficializar sua candidatura no TSE, o senador Flávio Bolsonaro delineou pela primeira vez seu posicionamento sobre o setor elétrico e combustíveis, surpreendendo ao adotar um tom de continuidade em relação às políticas de descarbonização implementadas durante a atual gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.
Embora o plano do candidato do PL seja mais conciso no tratamento do tema em comparação ao projeto petista, a semelhança entre as pautas sugere que o compromisso com a energia limpa tornou-se um consenso necessário para o desenvolvimento econômico do Brasil, independentemente de quem ocupe a cadeira presidencial.
Biocombustíveis como motor da economia
Ambos os candidatos visam consolidar o Brasil como uma potência global em combustíveis renováveis. Flávio Bolsonaro defende o pleno aproveitamento da Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, incentivando o biometano, o diesel verde e o SAF (combustível sustentável de aviação). O senador ainda propõe expandir o papel do RenovaBio no cenário internacional.
Em contrapartida, Lula foca em metas mais específicas, como elevar a mistura de etanol na gasolina para 32% e biodiesel no diesel para 15%. Segundo o documento do petista:
Também daremos sequência aos esforços de desenvolvimento tecnológico e expansão dos combustíveis sustentáveis, acelerando a implementação de políticas de descarbonização.
O desafio da rede de transmissão
No que diz respeito à modernização do setor elétrico, o consenso gira em torno do Nordeste. O plano de Flávio Bolsonaro destaca a região como o hub ideal para atrair indústrias de tecnologia e data centers devido ao potencial eólico e solar. O senador pontua:
E é essa energia farta e competitiva que vai atrair os data centers e a nova indústria de tecnologia.
O programa de Lula, por sua vez, detalha a necessidade de sanar gargalos na transmissão de energia, prometendo continuidade aos leilões. O objetivo é integrar a produção renovável ao desenvolvimento regional. Conforme cita o plano petista:
Será fundamental expandir de forma coordenada e integrada a transmissão, a geração e o desenvolvimento regional.
O texto visa a atração de plantas industriais de siderurgia verde e hidrogênio de baixo carbono.
Armazenamento e o futuro do sistema
A incorporação de baterias de grande escala ao SIN (Sistema Interligado Nacional) é tratada como pauta urgente por ambos. Enquanto Flávio Bolsonaro propõe programas de implantação de armazenamento de energia para conferir segurança ao sistema, o plano de Lula busca integrar a produção de baterias a uma nova agenda de neoindustrialização nacional.
Sobre o mercado de carbono, o cenário é de estabilidade. O senador busca segurança jurídica para consolidar o Brasil como exportador de ativos ambientais, enquanto a proposta atual foca na continuidade da regulamentação do SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões). Com o mercado regulado em plena construção pelo Ministério da Fazenda, a expectativa é que o modelo esteja operando em sua totalidade a partir de 2030, mantendo o país no mapa global de investimentos sustentáveis.
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