A Fitch Ratings sinaliza que a Equatorial enfrenta desafios contínuos em seus projetos de energia renovável, impactada por cortes na geração e dívidas crescentes.
A agência de classificação de risco Fitch Ratings emitiu uma avaliação que mantém a perspectiva negativa para as subsidiárias da Equatorial, destacando os impactos persistentes do curtailment — a redução na geração de energia de fontes renováveis — e o endividamento da companhia. Embora a distribuição de energia continue sendo o pilar financeiro do grupo, respondendo por mais de 90% do Ebitda, os ativos de geração renovável, especialmente os eólicos e solares, estão aquém do potencial esperado.
A subsidiária Echoenergia, em particular, tem enfrentado a necessidade de recompor lastro contratual no mercado de curto prazo devido à geração efetiva abaixo do previsto. As projeções da Fitch indicam que os parques eólicos devem operar a 88% de sua capacidade garantida (cenário P-90), enquanto os solares atingirão apenas 59%. Essa defasagem na geração implicará desembolsos de aproximadamente R$ 370 milhões entre 2026 e 2027 para cobrir déficits acumulados.
Consequentemente, a contribuição do segmento de geração renovável para os resultados gerais da Equatorial deve permanecer restrita. A agência estima que o Ebitda deste segmento fique em torno de R$ 670 milhões anuais nos próximos dois anos, representando uma fatia modesta de cerca de 5% do Ebitda consolidado do grupo. As premissas da Fitch apontam para uma geração efetiva média de 580 MW entre 2026 e 2028, inferior aos 725 MW médios contratados para venda, com uma margem de Ebitda projetada de 52%. Os preços de energia incentivada e de mercado de curto prazo também foram considerados na análise, com projeções de queda nos valores entre 2026 e 2028.
A volatilidade no setor de geração renovável não é exclusividade da Equatorial. A Fitch cita a CPFL Energia como exemplo, onde os efeitos do curtailment afetam uma parcela significativa de sua geração de caixa.
Impacto da Aquisição da Copasa e Alavancagem Financeira
Em contrapartida, a Fitch considera positiva a recente aquisição de participação na Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais). O ativo é visto como robusto e com demanda previsível, com potencial para contribuir com cerca de 4% do Ebitda ajustado da Equatorial. Contudo, a operação, no valor de R$ 5,6 bilhões e majoritariamente financiada por dívida, deverá aumentar a alavancagem financeira da companhia.
A relação dívida líquida ajustada/Ebitda da Equatorial é projetada pela Fitch para subir para 4,8 vezes em 2026 e 4,6 vezes em 2027, superando as estimativas anteriores. Mesmo com o uso de um empréstimo-ponte que será renegociado, a alavancagem pode atingir patamares elevados em cenários mais desafiadores.
A análise da Fitch Ratings evidencia um cenário misto para a Equatorial, com a resiliência do setor de distribuição compensando, em parte, as pressões sobre os negócios de geração renovável e o aumento do endividamento corporativo. O desempenho futuro dependerá da capacidade da empresa em gerenciar esses fatores e otimizar a contribuição de seus diversos ativos.























