O etanol registra alta nas usinas, mas permanece como opção econômica nas bombas paulistas. Com preços abaixo da barreira dos 70%, motoristas de veículos flex podem otimizar seus gastos.
O mercado de combustíveis atravessa um momento de ajuste. Enquanto o etanol hidratado atingiu a marca de R$ 2,64 por litro nas usinas paulistas, segundo dados da Consultoria Agro do Itaú BBA, a situação nas bombas de combustíveis em São Paulo mantém uma vantagem competitiva para o consumidor.
O cenário reflete o impacto de chuvas que interromperam a moagem da cana-de-açúcar na região Centro-Sul, pressionando os preços na indústria.
Apesar da escalada na origem, o valor médio do etanol nos postos de combustíveis, monitorado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), situou-se em R$ 3,86 na segunda semana de outubro.
Quando comparado aos R$ 6,36 cobrados pela gasolina, o biocombustível representa cerca de 60,7% do preço do derivado de petróleo.
Esse índice é fundamental para quem busca eficiência financeira, posicionando-se bem abaixo da referência técnica de 70% frequentemente utilizada pelo mercado.
Do campo à bomba: a diferença nas etapas da cadeia
É importante distinguir o preço na usina do valor final no posto. Os R$ 2,64 registrados na indústria não chegam diretamente ao motorista, pois o valor final ao consumidor final incorpora custos de distribuição, fretes e margens de revenda.
O descolamento entre esses números reforça que a alta na indústria nem sempre é repassada integralmente ou de forma imediata ao varejo.
A escolha do motorista depende desses dois preços de revenda e do rendimento do próprio carro. O valor recebido pela usina pertence a outra etapa da cadeia.
Para realizar uma escolha inteligente, o condutor deve ultrapassar a regra dos 70%. Embora seja um cálculo rápido, a ciência por trás da economia está no desempenho real do veículo.
O etanol, por possuir um poder calorífico menor que a gasolina, tende a resultar em um consumo por quilômetro superior.
Por isso, a recomendação de especialistas é calcular o custo por quilômetro rodado, dividindo o preço do litro pela autonomia específica do seu motor.
Contexto tributário e novas misturas
O cenário de preços também é influenciado por medidas governamentais. Desde o início de agosto, a gasolina comum comercializada no país conta com uma mistura de 32% de etanol anidro.
Essa alteração na composição altera o comportamento do combustível fóssil, tornando ainda mais relevante que o motorista monitore o rendimento do seu carro através das etiquetas do Inmetro ou de anotações próprias após cada abastecimento.
Somado a isso, o governo federal implementou uma desoneração tributária que zerou os tributos federais sobre a gasolina no período entre 10 de outubro e 9 de novembro.
O etanol também mantém benefícios fiscais vigentes. O reflexo final dessas medidas nas bombas ainda está sendo monitorado pelas autoridades, à medida que os estoques são renovados e as tabelas de preços nos postos sofrem atualizações.
A recomendação para as próximas semanas é clara: a volatilidade climática e as oscilações nas cotações industriais exigem cautela.
Com a divulgação dos próximos levantamentos da ANP, o motorista terá uma visão mais nítida de como a desoneração e as variações de mercado impactarão o custo final.
A estratégia mais eficaz continua sendo o acompanhamento do preço praticado no posto de confiança, comparado à eficiência que o seu carro apresenta com cada combustível no trânsito diário.


















