Equatorial enfrenta cenário de custos elevados e vê lucro ajustado recuar mais de 80% no segundo trimestre de 2026.
A Equatorial Energia reportou um balanço desafiador referente ao segundo trimestre de 2026. O lucro líquido ajustado da companhia atingiu R$ 110 milhões, um recuo expressivo de 83,5% em relação aos R$ 668 milhões registrados no mesmo intervalo do ano anterior. O desempenho foi impactado por uma combinação de maiores despesas financeiras e uma base comparativa inflada por eventos não recorrentes em 2025.
Mesmo com a retração no lucro final, a Equatorial conseguiu manter um ritmo positivo em sua operação central. A receita operacional líquida da empresa cresceu 10,2%, saltando para R$ 13,7 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado permaneceu estável, na casa dos R$ 2,9 bilhões, apresentando uma leve alta de 0,8%.
Pressão financeira e endividamento
O principal obstáculo para a lucratividade no período foi o custo da dívida. A despesa financeira líquida ajustada subiu 31,4%, alcançando R$ 1,7 bilhão. Segundo a companhia, esse aumento é reflexo direto da ampliação do endividamento e do impacto da correção do IPCA sobre passivos atrelados à inflação. Ao final de junho, a dívida líquida consolidada da Equatorial era de R$ 51,8 bilhões, um crescimento de 15,2% na comparação anual, embora o indicador de alavancagem — dívida líquida sobre Ebitda — tenha se mantido controlado em 3,1 vezes.
Os custos operacionais também foram pressionados por uma inversão contábil. Enquanto no segundo trimestre de 2025 a empresa reverteu R$ 408 milhões em provisões (especialmente ligadas à Equatorial Goiás), o cenário atual registrou um aumento nas perdas estimadas com inadimplência (PCLD) em distribuidoras estratégicas como Maranhão, Piauí e Goiás.
Desempenho por segmento
Apesar das adversidades macroeconômicas, o braço de distribuição de energia seguiu como o motor da companhia, gerando uma margem bruta adicional de R$ 393 milhões. O ganho foi impulsionado pelo crescimento do mercado e pela evolução da tarifa fio-B.
Em contrapartida, outras frentes apresentaram resultados mais modestos. A Echoenergia teve uma redução de R$ 69 milhões na margem bruta, prejudicada pelo arrefecimento na geração eólica, enquanto a participação na Sabesp contribuiu com R$ 230 milhões, uma queda de 26,2% comparada ao ano anterior.
O balanço reflete a fase de transição da companhia, que combina uma estratégia agressiva de expansão — exemplificada pela aquisição de participação na empresa mineira de saneamento Copasa — com os desafios de um custo de capital mais elevado. A sustentabilidade dos próximos resultados dependerá da capacidade do grupo de otimizar sua estrutura de capital e manter a eficiência operacional em suas concessões de distribuição.


















