Resultado financeiro e despesas operacionais pressionam lucro da Equatorial, que cai 83,5% no segundo trimestre, apesar de crescimento na receita.
A Equatorial Energia divulgou seus resultados financeiros para o segundo trimestre de 2026, apresentando uma queda expressiva de 83,5% em seu lucro líquido ajustado, que atingiu R$ 110 milhões. O resultado contrasta com os R$ 668 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. Mesmo ao desconsiderar o segmento de transmissão, que impactou positivamente a base de comparação em 2025, o recuo ajustado foi de 80,1%.
Apesar da redução no lucro, a receita operacional líquida da companhia demonstrou resiliência, com um aumento de 10,2% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 13,7 bilhões. O Ebitda ajustado também apresentou leve crescimento, avançando 0,8% e totalizando R$ 2,9 bilhões.
Despesas Financeiras e Operacionais Elevam Custos
O principal fator por trás da queda no lucro foi o desempenho negativo do resultado financeiro. As despesas financeiras líquidas ajustadas cresceram 31,4%, totalizando R$ 1,7 bilhão. Esse aumento foi impulsionado, em grande parte, pela elevação dos encargos com a dívida, que saltaram 31,4% para R$ 2,1 bilhões. A companhia atribuiu essa piora ao aumento do endividamento e à maior influência da inflação (IPCA) sobre seus passivos indexados.
Paralelamente, os custos e despesas operacionais consolidados dispararam 75,2%, passando de R$ 776 milhões para R$ 1,3 bilhão. Esse aumento significativo foi influenciado por variações nas provisões, incluindo perdas com créditos de liquidação duvidosa em distribuidoras chave como Maranhão, Piauí e Goiás, além de um efeito comparativo desfavorável em relação à reversão de provisões em 2025.
Setor de Distribuição Compensa, Geração Renovável Recua
No âmbito operacional, o segmento de distribuição de energia elétrica apresentou um desempenho positivo, com a margem bruta ajustada crescendo R$ 393 milhões. Destaque para as contribuições de R$ 131 milhões no Maranhão, R$ 114 milhões em Goiás e R$ 93 milhões na CEEE-D. O crescimento de mercado e a variação da tarifa fio-B também impulsionaram positivamente a margem das distribuidoras.
Em contrapartida, a geração renovável, por meio da Echoenergia, registrou uma queda de R$ 69 milhões em sua margem bruta, impactada por uma menor geração eólica no período. A equivalência patrimonial da Sabesp também diminuiu 26,2%, totalizando R$ 230 milhões.
Endividamento Aumenta e Novas Aquisições
A dívida líquida da Equatorial encerrou o trimestre em R$ 51,831 bilhões, um aumento de 15,2% em relação ao ano anterior. A relação entre dívida líquida e Ebitda se manteve estável em 3,1 vezes. Durante o período, a empresa deu continuidade à sua estratégia de expansão, concluindo a aquisição de 30% da Copasa e captando R$ 7,6 bilhões, recursos que foram direcionados tanto para a operação de saneamento quanto para suas distribuidoras de energia.
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