A EPE articula mudanças nas regras de contratação de pequenas centrais hidrelétricas para conferir maior flexibilidade operacional ao sistema elétrico brasileiro diante da expansão das energias renováveis.
O planejamento do setor elétrico brasileiro passa por uma transformação profunda. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) está avaliando a implementação da modulação horária diária para PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) que foram contratadas por via legislativa. A proposta visa utilizar esses ativos para fortalecer a resiliência do Sistema Interligado Nacional (SIN), que enfrenta o desafio de equilibrar a oferta e a demanda em um cenário marcado pela crescente penetração de fontes intermitentes.
Para o presidente da EPE, Thiago Prado, o modelo tradicional de operação precisa ser revisto. Durante o Greener Summit 2026, o executivo reforçou que, embora a lei tenha definido critérios rígidos de contratação para essas usinas, a necessidade atual exige que elas atuem como provedoras de potência nos momentos em que o sistema mais demanda energia, garantindo assim uma operação mais dinâmica e eficiente.
Adaptação ao novo cenário energético
As projeções da estatal indicam que o consumo de energia no Brasil superará o ritmo de crescimento do PIB, com uma expansão estimada entre 40% e 60% nos próximos anos. Esse aumento na carga, aliado à variabilidade das fontes eólica e solar, exige novas soluções tecnológicas. Entre as prioridades da EPE estão o incentivo à resposta da demanda, a eletrificação inteligente e a integração de sistemas de armazenamento em grande escala.
Quanto ao futuro da rede, o próximo Plano Nacional de Energia (PNE 2036) trará mudanças importantes na metodologia. A EPE planeja segregar as análises de baterias e usinas hidrelétricas reversíveis em seus modelos, reconhecendo que cada tecnologia desempenha um papel estratégico distinto para manter a estabilidade da rede.
“Hoje, um dos maiores desafios é fazer esse avanço e transformação dos modelos, o que vai exigir mexer na forma que o mercado está habituado a fazer negócios. Novas oportunidades vão surgir, mas o jeito antigo de fazer negócio vai mudar”, afirmou Thiago Prado durante o evento em São Paulo.
Oportunidade na renovação de concessões
Além das PCHs, o cronograma de vencimento de diversas concessões de transmissão e de 19 GW em hidrelétricas existentes surge como um catalisador para a modernização do setor. O plano é utilizar esses processos de renovação para implementar tecnologias de ponta, como o Dynamic Line Rating (DLR), que permite monitorar a capacidade das linhas de transmissão em tempo real conforme as condições climáticas.
No campo da geração, o foco está na repotenciação e na viabilização de usinas reversíveis em projetos já operacionais. A estratégia permite aumentar a flexibilidade do sistema sem a necessidade de construir grandes reservatórios do zero. Com esse movimento, a EPE busca sinalizar ao mercado que o foco do planejamento estratégico nos próximos anos será integrar eficiência, tecnologia e inteligência operacional para sustentar o crescimento nacional.























