O mercado de energia solar no Brasil passa por uma fase de transição em 2026, marcada pela desaceleração na instalação de painéis fotovoltaicos tradicionais e pela forte ascensão de baterias e da infraestrutura para carros elétricos.
O setor de geração distribuída (GD) iniciou o ano de 2026 em ritmo mais ameno, refletindo uma retração expressiva nas novas conexões e na importação de módulos fotovoltaicos. Conforme aponta o Estudo Estratégico de Soluções Energéticas Distribuídas, elaborado pela Greener, o país alcançou a marca de 53 GW de potência instalada até junho. No entanto, o volume adicionado nos primeiros seis meses do ano foi de 3,97 GW, registrando uma queda de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A desaceleração afetou de maneira distinta os diferentes portes de projetos. Enquanto a minigeração sofreu uma retração de 33,7% na potência adicionada, a microgeração manteve-se praticamente estável, com recuo de apenas 0,8%. No campo comercial, as empresas enfrentam desafios redobrados: embora a média mensal de orçamentos tenha subido para 25 por companhia, a taxa de conversão estacionou em 18%. Fatores como juros elevados, restrições no crédito bancário e forte concorrência de preços continuam limitando o fechamento de novos negócios em território nacional.
Desafios operacionais e a alta dos custos de importação
A cadeia de suprimentos também apresentou uma contração severa. As importações de painéis solar nacionalizados somaram 5,5 GWp no primeiro semestre, o que representa uma queda de 48% frente ao patamar de 2025. Esse recuo foi puxado principalmente pela geração centralizada, que despencou 82%. Apesar da baixa no volume global, os custos tributários continuam pesando no orçamento das empresas, com o Imposto de Importação de 25% figurando como o principal componente de impacto no valor dos equipamentos.
Outro entrave operacional que ganhou relevância foi a inversão de fluxo de potência, problema que já atinge 38% dos integradores solares do país. Embora a taxa de resolução dessas ocorrências tenha melhorado, alcançando 50%, metade dos casos permanece sem solução definitiva pelas concessionárias. Paralelamente, o mercado lida com uma mudança no perfil de consumo: o segmento residencial expandiu sua participação e já concentra 65% da potência instalada, impulsionado pela busca por economia na fatura de luz.
Diversificação com baterias e mobilidade elétrica
Diante da retração nos sistemas convencionais, as empresas do setor encontram novas avenidas de crescimento na venda de soluções híbridas e na mobilidade urbana. O armazenamento de energia com baterias desponta como a principal alternativa para garantir a confiabilidade do suprimento e proteger cargas críticas. O estudo da Greener revela que 86% dos integradores já comercializam sistemas híbridos, motivados sobretudo pela busca dos consumidores por autonomia energética e continuidade das atividades diante de instabilidades na rede.
A prioridade do consumidor mudou; a busca por confiabilidade e proteção contra interrupções energéticas tornou-se o principal motor para a adoção de sistemas de armazenamento no país.
Em paralelo, a expansão da frota de veículos eletrificados — que atingiu 837 mil unidades — impulsionou o mercado de infraestrutura de recarga. Atualmente, 63% dos integradores já atuam com carregadores veiculares, atendendo principalmente a condomínios e estabelecimentos comerciais. Esse movimento de diversificação é complementado pela expansão nos serviços de operação e manutenção (O&M), consolidando um cenário em que a adaptação técnica e comercial se tornou condição essencial para a sobrevivência e o crescimento no mercado energético brasileiro.











