ENBPar reformula a metodologia para o cálculo de uso da energia de Itaipu pelo Paraguai, visando adaptar-se ao forte aumento do consumo industrial vizinho.
A gestão do excedente energético da hidrelétrica de Itaipu passa por uma reformulação estratégica conduzida pela ENBPar. A empresa brasileira responsável pela comercialização da cota nacional da usina estabeleceu novos parâmetros para dimensionar o volume de eletricidade que a Ande utilizará a partir de 2027.
O ajuste torna-se necessário diante da mudança expressiva no perfil de consumo do país vizinho. Historicamente, os paraguaios comercializavam grande parte de sua fatia de direito com o Brasil, mas a realidade econômica regional apresenta uma curva de alta vertiginosa que impacta diretamente o planejamento do setor elétrico brasileiro.
Mudança no perfil de consumo energético
A expansão da demanda paraguaia tem surpreendido os especialistas do setor. Desde 2022, o crescimento no aproveitamento da cota própria supera os 12% anuais, registrando saltos superiores a 18% entre 2023 e 2024. Esse avanço é impulsionado pela instalação de indústrias eletrointensivas, expansão de centros de dados e atividades de mineração de criptoativos, além da superação de antigos gargalos na infraestrutura de transmissão local.
Diante desse cenário, a ENBPar desenvolveu uma ferramenta preditiva mais robusta. O sistema passa a cruzar o histórico de consumo do mês imediatamente anterior com a média de expansão observada nos últimos 11 anos, recorte temporal apontado como o mais preciso nos testes técnicos da companhia.
A nova metodologia busca trazer previsibilidade ao mercado brasileiro, adaptando-se à realidade de um consumo industrial paraguaio em ritmo acelerado e constante expansão.
Impactos futuros no setor elétrico
A apresentação oficial da nova diretriz ocorreu durante o PMO, conduzido pelo ONS. Embora a ENBPar reconheça que variações atípicas em determinados meses ainda representem desafios metodológicos, o aperfeiçoamento técnico visa blindar o planejamento contra distorções na oferta destinada ao mercado nacional.
Com a implementação total prevista para 2027, os órgãos reguladores e agentes do setor monitoram de perto os reflexos dessa nova equação. A dinâmica entre Brasil e Paraguai na gestão da gigante binacional entra em uma nova era, exigindo constante sincronia operacional entre os dois países.













