“EDP inaugura complexo de armazenamento por baterias no Chile, estratégia para o Brasil”

"EDP inaugura complexo de armazenamento por baterias no Chile, estratégia para o Brasil"
"EDP inaugura complexo de armazenamento por baterias no Chile, estratégia para o Brasil" | Reprodução: Freepik / Pixabay
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A EDP inaugura seu primeiro complexo de baterias na América do Sul, no Chile, com US$ 44 milhões em investimento. O armazenamento de energia otimiza renováveis e traça o caminho para o mercado brasileiro.

A EDP, um dos líderes globais no setor energético, deu um passo significativo na América do Sul com a inauguração oficial do complexo de armazenamento por baterias Punta de Talca BESS, localizado no Chile. Este empreendimento, que representa um investimento de US$ 44 milhões, marca a entrada da companhia na tecnologia de acumulação de energia em larga escala na região, posicionando-a como um player fundamental para a modernização das infraestruturas elétricas locais.

A iniciativa chilena não é apenas um marco operacional, mas também uma plataforma estratégica. Com capacidade de 240 MWh e aptidão para armazenar, em média, 60 GWh por ano – volume capaz de atender mais de 30 mil residências – o projeto serve como um modelo para futuras expansões, com a EDP já demonstrando grande interesse e expectativa em relação ao promissor mercado brasileiro de armazenamento de energia, especialmente diante do leilão de baterias previsto para dezembro no Brasil.

Armazenamento Estratégico para Reduzir Perdas

O Punta de Talca BESS, integrado ao Parque Eólico Punta de Talca, no município de Ovalle, foi meticulosamente projetado para otimizar a utilização da energia renovável. Seu principal papel é capturar o excesso de geração em períodos de baixa demanda, evitando o desperdício, e então injetar essa energia na rede elétrica quando a necessidade é maior. Essa abordagem inovadora transforma o que antes eram excedentes não utilizados em uma fonte de energia firme e disponível.

Um dos objetivos cruciais do complexo é mitigar o chamado curtailment, um fenômeno em que geradores são forçados a interromper a produção devido a limitações do sistema. A EDP projeta que este sistema de baterias irá praticamente eliminar os cortes físicos no parque eólico chileno, que hoje representam cerca de 11% da geração anual. Além de aprimorar a eficiência, a estratégia contribui para a estabilidade do sistema, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e aumentando a flexibilidade da rede.

Otimização Financeira e Sustentabilidade

O armazenamento de energia no Chile também oferece uma vantagem econômica significativa. Ao carregar as baterias em momentos de superoferta, quando os preços da energia estão próximos de zero, e descarregá-las durante a noite, quando a demanda e os preços são mais elevados, a EDP consegue otimizar a rentabilidade do ativo. Esta gestão inteligente da energia não só beneficia a companhia, mas também apoia a sustentabilidade do sistema elétrico, transformando picos de geração em valor de mercado.

Olhar Atento ao Mercado Brasileiro de Baterias

O presidente da EDP para a América do Sul, João Brito Martins, destacou que a experiência adquirida no Chile será fundamental para moldar as futuras estratégias no Brasil. A companhia acompanha de perto o primeiro leilão brasileiro dedicado a sistemas de baterias, programado para dezembro, reconhecendo a crescente necessidade de combinar a geração renovável com soluções de armazenamento em sistemas elétricos cada vez mais complexos.

Apesar de algumas ressalvas à regulamentação recentemente aprovada pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), João Brito Martins afirmou que as regras já estabelecidas permitem que os agentes se preparem para competir. A EDP está empenhada em se posicionar da forma mais competitiva possível, adaptando-se ao novo ambiente regulatório e buscando as melhores oportunidades no cenário de transição energética brasileiro.

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Desafios Regulatórios e Econômicos no Brasil

Um dos pontos cruciais observados pela EDP na estrutura do leilão brasileiro é a definição do encargo que será pago pelos geradores para financiar a contratação dos sistemas de armazenamento. João Brito Martins frisou que essa variável é determinante para a viabilidade econômica dos projetos, uma vez que a forma como esses custos serão distribuídos impactará diretamente o retorno dos investimentos em energia.

“Trata-se de uma das variáveis mais sensíveis para a viabilidade econômica dos projetos, pois a forma como esse custo será distribuído terá impacto direto sobre a atratividade dos investimentos.”

Outra preocupação é o tratamento tarifário dos sistemas de armazenamento. Embora a ANEEL tenha feito progressos ao eliminar a dupla cobrança para projetos despachados pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o executivo ressaltou que as tarifas de uso da rede continuarão a ser um componente importante nas análises de viabilidade dos empreendimentos.

Experiência Global e o “Laboratório” Chileno

Embora o complexo chileno seja a primeira incursão da EDP em armazenamento de energia na América Latina, o grupo possui uma vasta experiência global, com cerca de 550 MW de baterias em operação. Recentemente, a companhia concluiu o Flatland Energy Storage, seu maior projeto de baterias até então, localizado no Arizona, Estados Unidos.

Desenvolvido em parceria com a SRP (Salt River Project), o empreendimento americano conta com 200 MW e 800 MWh de capacidade, atendendo cerca de 44,5 mil residências. Projetos como este reforçam a importância dos sistemas de armazenamento em larga escala para a resiliência e a confiabilidade dos sistemas elétricos, especialmente em períodos de pico de demanda.

Curtailment: Uma Realidade Também no Brasil

A realidade do curtailment, tão combatida no Chile, também afeta as operações da EDP no Brasil. Executivos da empresa revelaram que, em 2025, aproximadamente 13% da geração renovável da EDP no país sofreu cortes, resultando em um impacto financeiro estimado em US$ 40 milhões. Este dado sublinha a relevância e a urgência de soluções de armazenamento para o cenário energético brasileiro.

Para a EDP, o Punta de Talca BESS funciona como um valioso “laboratório operacional”, fornecendo aprendizados concretos sobre uma tecnologia que está destinada a ganhar protagonismo nos mercados latino-americanos. À medida que as fontes renováveis crescem, a necessidade de maior flexibilidade, confiabilidade e aproveitamento máximo da energia produzida torna

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