O setor de energia limpa alerta para o crescimento expressivo na remoção de fiação clandestina, que registrou salto de 117% no último ano, ameaçando a segurança e estabilidade das redes.
As empresas responsáveis pela distribuição de eletricidade no Brasil realizaram uma limpeza rigorosa em sua infraestrutura durante 2025. Ao todo, mais de 2 mil toneladas de cabos instalados sem autorização foram removidas dos postes espalhados pelo território nacional. O dado, que aponta um incremento de 117% no volume de material recolhido frente às 918 toneladas registradas no ano anterior, expõe o agravamento da ocupação desordenada de ativos essenciais para a rede elétrica.
O problema transcende a estética urbana, impactando diretamente a resiliência das redes de energia. O acúmulo indiscriminado de fios de telecomunicações e equipamentos clandestinos sobrecarrega a estrutura, dificulta a manutenção preventiva e eleva os riscos de acidentes para a população e para os profissionais do setor. É importante ressaltar que essa estatística contabiliza apenas o excesso de cabeamento de serviços de internet e telefonia, excluindo o prejuízo decorrente do furto de energia, os chamados “gatos”.
Desafios na Gestão de Ativos e Segurança
Com uma malha que abrange 53 milhões de postes, a Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica) enfrenta o desafio constante de equilibrar a prestação de serviços básicos com o compartilhamento de infraestrutura. Embora o uso desses postes por empresas de telecomunicações seja uma prática regulamentada para a expansão da conectividade, a falta de conformidade técnica e a ausência de contratos formais tornam a situação crítica.
“Os postes são operados pelas distribuidoras de energia elétrica, concessionárias responsáveis pela gestão e manutenção desses ativos, que têm como objetivo a prestação do serviço de energia. Esse uso irregular, sem contrato ou pagamento que garanta a manutenção e a segurança necessárias, ameaça a qualidade dos serviços de distribuição de energia e a própria população”, afirma Patricia Audi, presidente-executiva da Abradee.
Fiscalização e Perspectivas Legislativas
A estratégia de combate à ocupação irregular tem se intensificado. Nos últimos dois anos, as concessionárias dispararam cerca de 4,3 milhões de notificações exigindo a regularização ou o descarte imediato de fiações inadequadas. A colaboração com gestões municipais tem sido um pilar fundamental para ampliar o alcance dessas operações de limpeza e fiscalização, buscando proteger a integridade do sistema elétrico nacional.
O cenário futuro depende, também, de avanços no campo regulatório. O Projeto de Lei nº 3.220/2019, que visa estabelecer novas diretrizes para o compartilhamento de infraestrutura, segue sendo um ponto de atenção no Congresso. A expectativa do setor é que, com o amadurecimento dessa legislação na Câmara dos Deputados, as responsabilidades entre distribuidoras de energia e operadoras de telecomunicações sejam delimitadas de forma mais clara, assegurando não apenas a organização visual das cidades, mas a segurança e eficiência da energia entregue a quase totalidade dos lares brasileiros.






















