O primeiro teste do Plano de Gestão de Excedentes de energia no Brasil superou a meta de redução de carga, mas revelou desafios operacionais críticos para as distribuidoras.
O setor elétrico brasileiro enfrentou, no último dia 7 de junho, um momento decisivo para a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). Durante o feriado de Corpus Christi, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou pela primeira vez o Plano de Gestão de Excedentes de Energia nas redes de distribuição, visando conter o excesso de oferta.
A manobra resultou em uma redução de 1.955 MW médios na geração de usinas Tipo III — volume quase duas vezes superior à meta inicial de 1.000 MW estabelecida pelo órgão. Apesar do êxito técnico em preservar o equilíbrio da rede, o processo expôs fragilidades na comunicação e na infraestrutura necessária para gerir o parque gerador descentralizado.
Desafios na implementação do plano
Embora a meta agregada tenha sido atingida, as doze distribuidoras envolvidas na operação relataram entraves logísticos e técnicos. Entre as principais queixas, destacam-se a urgência na notificação, a falta de telemedição em algumas unidades e dificuldades para monitorar o cumprimento das ordens de restrição em tempo real.
O relatório enviado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) detalha que, em alguns casos, os geradores aplicaram cortes superiores aos solicitados, muitas vezes por limitações operacionais próprias. A inconsistência de dados cadastrais também dificultou o alinhamento esperado entre o ONS e os agentes de distribuição.
“As distribuidoras apontaram limitações para acompanhar em tempo real o cumprimento dos comandos e a necessidade de maior padronização na identificação das usinas e nas informações enviadas pelo ONS.”
Contexto e lições para o futuro
Antes de impactar as usinas nas redes de distribuição, o ONS realizou uma série de manobras severas no despacho centralizado, que incluíram o desligamento de quase 50 hidrelétricas e a interrupção temporária de usinas eólicas e solares. O plano foi desenhado justamente para lidar com o cenário de baixa carga, que se desenhou como um desafio à segurança operativa.
Para os próximos eventos, o operador sinalizou o esforço em ampliar a antecedência dos comunicados, embora tenha alertado que a natureza da programação diária limita a previsibilidade. A automação total do processo, sugerida pelos agentes, ainda não integra o horizonte imediato do órgão.
O monitoramento desta estratégia continuará sendo realizado através dos mecanismos atuais, mas o Sandbox Regulatório Integração ONS-DSO surge como uma alternativa promissora. O ambiente de testes deve permitir a calibração de prazos e frequências, visando otimizar a gestão da geração distribuída e garantir a resiliência do sistema frente à crescente variabilidade energética.






















