Com a missão de descarbonizar o Amazonas, a nova diretora da ABSOLAR, Helane Souza, aposta na integração entre energia solar e sistemas de armazenamento como chave para o desenvolvimento sustentável.
A transição energética no Amazonas ganha um novo fôlego com a chegada de Helane Souza à diretoria estadual da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica). Pioneira no setor local, a executiva assume o compromisso de transformar o estado em um polo de referência na união entre a geração fotovoltaica e tecnologias de armazenamento de energia. Segundo ela, o atual modelo, ainda muito dependente do diesel e encarecido por problemas logísticos, necessita de um choque de gestão e de novas diretrizes regulatórias para destravar investimentos.
Para a diretora, o futuro da região depende da superação de gargalos estruturais em áreas isoladas. A proposta central é clara: utilizar a energia solar aliada a baterias para garantir uma rede mais confiável e limpa. Esse movimento, defende ela, transcende o aspecto técnico, representando um motor de inclusão social e segurança para comunidades distantes dos grandes centros.
Oportunidades em meio aos desafios regionais
Embora o Amazonas conte hoje com 323 MW de geração própria distribuídos em milhares de sistemas, o potencial inexplorado é vasto. A estratégia da ABSOLAR sob a gestão de Helane Souza foca em um diálogo transversal com o setor público e privado para fomentar a implementação de soluções renováveis em hospitais, escolas e infraestruturas essenciais. O objetivo é reduzir a onerosidade dos sistemas isolados, que hoje dependem pesadamente da queima de combustíveis fósseis.
Sobre o cenário nacional, a diretora enxerga o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) como um marco para o setor de BESS (Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias). Apesar de o foco inicial estar no Sistema Interligado Nacional (SIN), a executiva projeta que a cadeia de suprimentos necessária pode beneficiar diretamente o Polo Industrial de Manaus.
“Com previsibilidade regulatória, escala de mercado e políticas adequadas de incentivo, o estado pode se tornar um dos protagonistas nacionais na produção e integração de tecnologias voltadas ao armazenamento de energia”, destaca a diretora.
Preservação e desenvolvimento lado a lado
A trajetória pessoal de Helane Souza, natural de Novo Airão, imprime uma marca singular à sua gestão: a visão de que a floresta é um ativo de valor, e não um entrave ao progresso. Para a líder da ABSOLAR, a expansão das renováveis atua como uma ponte que conecta o crescimento econômico à conservação ambiental.
Ao ser a primeira mulher a liderar a representação da associação no estado, Helane também deixa uma mensagem de incentivo à diversidade. Em um setor tradicionalmente masculino, ela defende a resiliência e a qualificação como ferramentas fundamentais para que mais mulheres ocupem mesas de decisão.
O próximo ciclo da associação no estado promete focar na segurança jurídica para investidores e na capacitação técnica local. Com o suporte da indústria de Manaus e um ambiente regulatório mais sólido, o Amazonas pretende não apenas reduzir sua dependência externa, mas se posicionar como um exemplo de como a tecnologia pode servir à sustentabilidade em biomas sensíveis.
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