Decreto de captura de carbono traz insegurança jurídica e preocupa mercado com novos projetos

Decreto de captura de carbono traz insegurança jurídica e preocupa mercado com novos projetos
Decreto de captura de carbono traz insegurança jurídica e preocupa mercado com novos projetos - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
Compartilhe:
Fim da Publicidade

Novas regras para a captura e armazenamento de carbono (CCS) no Brasil geram apreensão no setor por “responsabilidade permanente” e acesso de terceiros, divergindo de práticas internacionais e elevando riscos econômicos.

A regulamentação das atividades de Captura e Armazenamento de Carbono (CCS) no Brasil, através do decreto nº 13.095/2026, trouxe um misto de expectativas e preocupações para o mercado de energia limpa. Publicado recentemente, o texto estabelece as diretrizes para a captura, transporte e estocagem geológica de dióxido de carbono (CO2), mas pontos específicos levantam bandeiras vermelhas para especialistas e empresas do setor.

A principal controvérsia reside na manutenção da responsabilidade por riscos e danos associados aos reservatórios de CO2 com as empresas, por tempo indeterminado. Essa abordagem diverge significativamente dos modelos adotados globalmente, o que, para muitos, pode impactar a viabilidade econômica de futuros projetos de CCS no país.

Desafios da Responsabilidade Contínua

A cofundadora da CCS Brasil, Isabela Morbach, expressou a preocupação do setor. O artigo 11, parágrafo 4º, do decreto estabelece que o operador permanecerá responsável por quaisquer riscos ou danos relacionados ao armazenamento, incluindo reparação ambiental e indenização a terceiros, mesmo após o término da autorização e das obrigações de monitoramento.

A expectativa era de um modelo onde a responsabilidade seria transferida para o Estado após a estabilidade comprovada do reservatório. Esta é uma prática comum em nações como Canadá e Noruega, e sua ausência no decreto brasileiro é um ponto de grande atenção.

O modelo global prevê, geralmente, a assunção da responsabilidade pelo Estado após um período de monitoramento rigoroso e a comprovação da estabilidade geológica do local de armazenamento. O decreto brasileiro exige um monitoramento inicial de 20 anos após o fim da injeção, mas não aborda a transição da responsabilidade.

Acesso de Terceiros e o Impacto na Economia

Outro aspecto que gera atrito é a previsão de livre acesso às infraestruturas de captura e transporte de CO2. Agentes do setor temem que essa medida possa afetar negativamente a economia e a sustentabilidade técnica dos projetos, ao obrigar as empresas a receber volumes de dióxido de carbono de terceiros, potencialmente diluindo a rentabilidade e adicionando complexidade operacional.

Pontos Positivos e Perspectivas Futuras

Apesar das preocupações, o decreto não é desprovido de aspectos positivos para o avanço da descarbonização no Brasil. A integração do CCS ao Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) é vista como um passo fundamental, oferecendo mecanismos de mercado para incentivar a tecnologia.

FIM PUBLICIDADE

Além disso, a inclusão da infraestrutura de CCS no planejamento energético federal, sob a alçada da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), promete maior previsibilidade e segurança para investimentos futuros.

O texto também reconhece seis rotas tecnológicas para o CCS e estabelece um faseamento de autorização que garante prioridade na injeção para quem realizou a exploração e investigação da área. Atualmente, diversas empresas como FS, Eneva, Petrobras e TotalEnergies, estão envolvidas em projetos de CCS e BECCS (Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono) no Brasil, sinalizando o crescente interesse e potencial do país no setor.

O Impacto no Cenário da Energia Limpa

A regulamentação do CCS é um marco para a agenda de sustentabilidade e transição energética do Brasil. No entanto, o sucesso da implementação e o engajamento do setor privado dependerão da capacidade do governo em dialogar e ajustar os pontos que hoje geram insegurança jurídica e econômica.

A revisão da “responsabilidade permanente” e do modelo de acesso de terceiros pode ser crucial para atrair os investimentos necessários e posicionar o Brasil como um ator relevante na economia de baixo carbono. A expectativa é que as discussões continuem, buscando um equilíbrio que promova a inovação, a segurança ambiental e a viabilidade econômica dos projetos de captura de carbono.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp

Área de comentários

Seus comentários são moderados para serem aprovados ou não!
Alguns termos não são aceitos: Palavras de baixo calão, ofensas de qualquer natureza e proselitismo político.

Os comentários e atividades são vistos por MILHÕES DE PESSOAS, então aproveite esta janela de oportunidades e faça sua contribuição de forma construtiva.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ASSINE NOSSO INFORMATIVO

Inscreva-se para receber conteúdo exclusivo em seu e-mail, todas as semanas.

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Gestão de Usina Solar

ARRENDAMENTO DE USINAS

Parceria que entrega resultado. Oportunidade para donos de usinas arrendarem seus ativos e, assim, não se preocuparem com conversão e gestão de clientes.

Locação de Kit Solar

ASSINE NOSSO INFORMATIVO

Inscreva-se para receber conteúdo exclusivo em seu e-mail, todas as semanas.

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade NoBeta

Comunidade Energia Limpa Whatsapp.

Participe da nossa comunidade sustentável de energia limpa. E receba na palma da mão as notícias do mercado solar e também nossas soluções energéticas para economizar na conta de luz. ⚡☀

Siga a gente

Últimas Notícias

Parceria Publicitária

Energia Solar por Assinatura

Publicidade NoBeta