Consumidores de Boa Vista denunciam a Pastore Energia Solar por atrasos na instalação de painéis fotovoltaicos, somando dezenas de boletins de ocorrência e prejuízos financeiros significativos.
A busca pela economia na conta de luz e pela sustentabilidade através da energia limpa transformou-se em um pesadelo para dezenas de moradores em Boa Vista. O que deveria ser um investimento estratégico em autonomia energética converteu-se em uma sucessão de conflitos entre clientes e a empresa Pastore Energia Solar.
Diante da falta de respostas e de prazos de entrega ignorados, um grupo de consumidores decidiu levar o caso às autoridades policiais. A tensão atingiu seu ápice na última segunda-feira (11), quando clientes se reuniram na sede da companhia para exigir explicações imediatas, obrigando a intervenção da Polícia Militar para mediar o atendimento que, segundo os presentes, vinha sendo evitado pela administração.
Crises financeiras e obras paralisadas
O cenário relatado por quem buscou o serviço é alarmante. Muitos consumidores, que optaram pelo pagamento à vista ou por financiamentos bancários de até R$ 30 mil, encontram-se em uma situação de vulnerabilidade. Eles relatam que, enquanto o sistema de geração de energia permanece inoperante ou incompleto, os boletos de financiamento continuam chegando mensalmente.
Para alguns, a espera já supera a marca de um ano, gerando prejuízos acumulados e até danos estruturais aos imóveis. Um dos relatos mais graves aponta falhas na vedação de telhados após a tentativa de instalação das placas, causando goteiras e outros transtornos domésticos durante o período de chuvas.
“A empresa não oferece soluções concretas, apenas justificativas sobre problemas com fornecedores e dificuldades logísticas, enquanto continua prospectando novos clientes no mercado local”, relataram consumidores insatisfeitos.
Intervenção legal e posicionamento da empresa
A insatisfação coletiva, que estima atingir pelo menos 40 famílias, já chegou à Delegacia de Defesa do Consumidor. As denúncias foram formalizadas sob a ótica do crime de indução do consumidor ao erro, amparado pela Lei 8.137/1990. O foco das queixas reside na discrepância entre o que foi prometido em contrato e a realidade das obras, muitas vezes paralisadas após a quitação dos valores.
Em nota oficial, a Pastore Energia Solar negou qualquer inércia e afirmou que cada demanda está sendo tratada de forma individualizada. A empresa justificou os atrasos citando trâmites burocráticos e operacionais, reforçando que mantém canais de diálogo abertos. Além disso, a companhia advertiu que não permitirá que informações distorcidas afetem sua reputação, cogitando medidas judiciais contra publicações que considere descontextualizadas.
Este episódio em Roraima serve como um sinal de alerta para o mercado de energia solar no Brasil. À medida que a tecnologia se populariza, a necessidade de uma curadoria rigorosa sobre a idoneidade das empresas integradoras torna-se tão importante quanto a escolha dos equipamentos, garantindo que o sonho da energia renovável não termine em disputa jurídica.























