Líder da Mombak defende mercado de carbono com mínima intervenção governamental para atrair investimentos.
A Mombak, uma das proeminentes empresas brasileiras no setor de remoção de carbono, expressa a necessidade de uma abordagem menos intervencionista do governo no mercado regulado de créditos de carbono.
Segundo Gabriel Haddad Silva, CEO e cofundador da companhia, a incerteza gerada por excesso de regulação pode afastar investidores, encarecer serviços e, consequentemente, frear o desenvolvimento do setor no Brasil.
A empresa, focada em reflorestamento de áreas degradadas na Amazônia, tem investido massivamente em projetos que visam a captura de dióxido de carbono, plantando milhões de árvores e gerenciando milhares de hectares no Pará.
A visão da Mombak é clara: um mercado mais livre e com pouca interferência estatal é crucial para o crescimento sustentável e para atrair o capital necessário para expandir operações e alcançar metas ambiciosas de sequestro de carbono.
A declaração surge em um momento delicado para a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, previsto para entrar em vigor após a lei de 2024, e que ainda aguarda definições cruciais para sua operação, impactando diretamente a capacidade do país de negociar créditos de carbono internacionalmente, em conformidade com o Acordo de Paris.
Regulamentação em Debate e Impacto nos Negócios
O debate em torno da regulamentação do mercado de carbono no Brasil ganha força com propostas governamentais que visam restringir a exportação de créditos, uma medida que tem gerado apreensão no setor empresarial.
Tais restrições, embora busquem garantir que as metas climáticas domésticas sejam cumpridas, podem comprometer a atratividade do país para investimentos estrangeiros e a competitividade das empresas brasileiras.
A Mombak, que já possui uma base de clientes majoritariamente internacional, alerta para o risco de limitar o potencial de crescimento e a captação de recursos essenciais, que ultrapassam a capacidade do mercado voluntário.
A empresa reforça a importância de um diálogo aberto com o governo para definir regras que fomentem o setor, em vez de limitá-lo.
A expectativa é que, independentemente da gestão governamental, a natureza estratégica do mercado de carbono seja reconhecida, impulsionando investimentos em soluções ambientais inovadoras e de alta qualidade, fundamentais para a transição energética global.
A Confiança do Mercado em Créditos Validados
Recentemente, a Mombak obteve a validação de seus primeiros créditos de carbono pela certificadora britânica Isometric, um marco que demonstrou a forte demanda por ativos de remoção de carbono já certificados.
Essa conquista validou o protocolo de reflorestamento da empresa, baseado no plantio de espécies nativas, e atesta a qualidade e a segurança de seus projetos.
Em um cenário global onde a confiança no mercado de carbono foi abalada por denúncias de fraudes, a capacidade de oferecer créditos com risco de execução minimizado tem se mostrado um diferencial competitivo.
A empresa planeja captar mais recursos e diversificar sua base de clientes, atraindo também setores além da tecnologia.
Essa estratégia visa reduzir a dependência do mercado voluntário e garantir a sustentabilidade de seus negócios em um ambiente global volátil, onde a urgência por soluções climáticas eficazes é cada vez maior, mas a oferta de créditos de carbono de alta qualidade ainda é escassa.
A Mombak se posiciona como um player fundamental nesse cenário, com potencial para impulsionar o Brasil como líder na indústria de remoção de carbono.
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