A CCEE impôs restrições operacionais à Coteminas, exigindo análise prévia para novos contratos de energia visando mitigar riscos financeiros decorrentes da atual recuperação judicial da gigante têxtil.
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) anunciou, nesta terça-feira, 3 de novembro, uma medida de cautela direcionada à Coteminas. A decisão submete a companhia, que atravessa um delicado processo de recuperação judicial desde maio de 2024, ao regime de “operação balanceada”.
Na prática, a partir da contabilização de outubro de 2026, a empresa não terá liberdade total para registrar ou alterar seus contratos de compra e venda no Mercado de Energia. Cada movimento deverá passar pelo crivo da entidade reguladora, que verificará se a empresa possui lastro e liquidez para honrar seus compromissos, prevenindo saldos negativos que possam comprometer o sistema.
Monitoramento como salvaguarda financeira
O objetivo central desta intervenção é proteger a integridade financeira do mercado, evitando o efeito cascata da inadimplência. A CCEE, responsável por gerenciar as transações de energia no Brasil, utiliza esse mecanismo para acompanhar empresas que apresentam fragilidades estruturais ou dificuldades em comprovar sua sustentabilidade econômica durante a execução de contratos.
Explicam analistas do setor elétrico sobre a importância desse controle:
A medida de operação balanceada funciona como um filtro de segurança para assegurar que apenas operações lastreadas em energia e solidez financeira sejam registradas, mitigando o risco de exposição negativa ao mercado.
Contexto da crise e precedentes
A Coteminas, detentora de marcas consolidadas como Artex, MMartan e Santista, enfrenta uma crise expressiva com dívidas estimadas em R$ 2,6 bilhões. A restrição imposta pela CCEE reflete a preocupação com o passivo acumulado e a capacidade da companhia de manter suas operações em meio à reestruturação jurídica.
O cenário atual não é isolado. Nos últimos meses, diversas empresas do ramo de comercialização de energia, incluindo nomes como Tradener, Safira e Mega, foram submetidas ao mesmo monitoramento rigoroso. A lista crescente de companhias sob supervisão reforça uma postura mais austera da CCEE diante das volatilidades do mercado.
Para o futuro próximo, a Coteminas terá de lidar com esse obstáculo adicional em sua gestão operacional. A imposição da CCEE permanece válida enquanto persistirem os riscos identificados pela fiscalização, tornando o ambiente de contratação da têxtil muito mais restrito e vigilante nos próximos ciclos de contabilização.









