Aneel mantém custo de baterias para geradores e define leilões para dezembro

1º leilão de baterias do país será realizado em dezembro; na
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A Aneel oficializou os editais para os primeiros leilões de baterias do país, mantendo o ônus financeiro aos geradores, enquanto o Congresso articula uma possível mudança na legislação vigente.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) validou, nesta terça-feira (27), as diretrizes para os dois leilões pioneiros de reserva de capacidade focados em sistemas de armazenamento de energia por baterias.

Com certames agendados para o início de dezembro, a decisão mantém a responsabilidade pelo custeio vinculada aos geradores, alinhando-se estritamente à legislação atual, a Lei nº 15.269/2025.

A decisão ocorre em um momento de tensão política e regulatória.

Enquanto a Aneel reforça a obrigatoriedade de pagamento para os geradores, o Congresso Nacional movimenta-se para alterar o modelo de partilha desses custos.

O cenário cria uma expectativa de incerteza, já que uma eventual aprovação do Projeto de Lei 3.716/2026, de autoria do deputado Arnaldo Jardim, poderia transferir essa carga financeira para os consumidores finais do SIN (Sistema Interligado Nacional).

Tensões no setor e a briga legislativa

Durante a fase de consulta pública, o setor elétrico tentou pressionar a agência para que a terminologia no edital fosse ampliada.

A ideia era substituir “agentes de geração” por “usuários de reserva de capacidade”, permitindo maior flexibilidade caso a lei seja alterada.

Contudo, a Aneel manteve a redação original, restringindo o encargo aos geradores.

“A decisão de manter os geradores como principais responsáveis pelo custeio contrasta com a mobilização no Legislativo, que busca uma repartição mais ampla dos encargos entre todos os usuários do sistema.”

Flexibilizações e regras específicas

Embora tenha mantido a rigidez quanto aos pagamentos, a agência cedeu em pontos técnicos importantes para viabilizar a participação das empresas.

Um dos destaques foi a flexibilização das exigências patrimoniais, que agora permite que consórcios entre empresas de um mesmo grupo econômico comprovem patrimônio líquido via controladora, evitando contagem duplicada.

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Além disso, as concessionárias de transmissão, após parecer favorável da Procuradoria Federal junto à Aneel, foram autorizadas a participar dos leilões.

A entrada de players como a Taesa, desde que garantida a separação contábil e financeira, promete aumentar a competitividade no certame.

Por outro lado, a agência negou a inclusão de baterias colocalizadas — aquelas instaladas dentro do perímetro de usinas geradoras já existentes.

O argumento técnico do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) é que tais sistemas poderiam ter sua performance limitada pela operação da usina, prejudicando a confiabilidade no atendimento aos comandos de carga e descarga essenciais para o equilíbrio da rede.

Próximos passos e o futuro dos leilões

Os certames, previstos para os dias 2 e 4 de dezembro, possuem perfis distintos: um deles exige um percentual de conteúdo nacional nos equipamentos, enquanto o outro aceita tecnologias importadas.

O sucesso desses leilões é fundamental para a transição energética brasileira, mas a viabilidade econômica do modelo de negócios segue pendente da sinalização que virá de Brasília.

Caso o PL 3.716/2026 avance no Legislativo antes das datas definidas, a Aneel será obrigada a reconfigurar o edital.

O impacto de uma eventual mudança seria direto: a alteração da base de rateio e, consequentemente, a estrutura tarifária do setor elétrico, que segue observando de perto cada movimento dos órgãos reguladores e parlamentares nas próximas semanas.

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