A Aneel articula um plano de contingência para garantir o abastecimento de energia durante as eleições, visando mitigar os riscos severos causados pelo fenômeno climático El Niño no Brasil.
Com a previsão de um El Niño de forte intensidade impactando o clima brasileiro entre outubro e dezembro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) iniciou uma mobilização estratégica junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O objetivo central é assegurar a estabilidade do sistema elétrico nacional durante o período eleitoral, marcado para o dia 4 de outubro, evitando falhas que possam comprometer o processo de votação.
A iniciativa, liderada pelo diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, foca na prevenção. Com uma probabilidade de 95% de ocorrência do fenômeno climático, a agência está coordenando ações integradas com geradoras, transmissoras e distribuidoras de energia para que qualquer intercorrência no fornecimento seja rapidamente contornada.
Antecipação de recursos e segurança no Norte
Uma das medidas mais importantes anunciadas por Sandoval Feitosa é a liberação antecipada de verbas para pequenas usinas que operam em áreas isoladas da Região Norte. Essas unidades, situadas na Amazônia Legal, dependem do transporte fluvial de combustíveis, como o óleo diesel, que pode ser severamente prejudicado pela seca prolongada característica do El Niño.
Sandoval Feitosa declarou:
“Já comuniquei ao Tribunal Superior Eleitoral que nós estamos em contingenciamento e também avisei ao Tribunal que estou antecipando recursos para as áreas isoladas, para que elas recebam esse combustível antecipadamente. Estamos fazendo o que é possível sob o ponto de vista de prevenção, preparação e comunicação a todas as instituições possíveis”
Esses aportes serão realizados por meio da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), um encargo setorial que financia a geração de energia em localidades desconectadas do sistema interligado nacional. A medida não gera novos custos tarifários ou impactos fiscais adicionais, sendo apenas uma gestão financeira preventiva para garantir o estoque antecipado nas usinas.
Monitoramento e foco nas eleições
Segundo o diretor da Aneel, a preocupação maior reside na logística de transporte fluvial em rios que podem sofrer com o rebaixamento do nível das águas. Ao antecipar a compra e o armazenamento do combustível, a agência busca mitigar riscos de desabastecimento em comunidades remotas.
O objetivo é garantir que o fornecimento de energia térmica local suporte a demanda necessária durante o pleito. Complementando os esforços da Aneel, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) também reforçou seu plano de ação.
O diretor-geral do ONS, Márcio Rea, destacou que o órgão manterá uma operação especial de monitoramento contínuo durante os turnos de votação. Segundo Rea, o trabalho de inteligência do ONS já vem sendo executado nos últimos meses para assegurar que as áreas mais complexas e de difícil acesso recebam prioridade absoluta na estabilidade do suprimento de energia elétrica.























