A Câmara dos Deputados intensificará a fiscalização sobre a Âmbar Energia após a empresa ignorar audiência que debatia a crise no fornecimento de luz no Amazonas.
A recente transição de controle da concessionária responsável pelo serviço de eletricidade no estado do Amazonas gerou um clima de tensão entre parlamentares e órgãos reguladores. Durante audiência pública realizada na Câmara dos Deputados, a ausência de representantes da Âmbar Energia provocou críticas severas, culminando no anúncio de uma convocação oficial para que a companhia esclareça seu plano de ação para mitigar as falhas no fornecimento de energia.
O debate, promovido pelas comissões de Defesa do Consumidor e de Minas e Energia, focou na necessidade urgente de transparência. Com um histórico crítico de interrupções, que somam uma média de 41 horas sem luz por ano, a expectativa é que a mudança na gestão da rede elétrica traga melhorias operacionais, conforme previa a Aneel ao autorizar a transferência de controle em março deste ano.
Cobranças por desempenho e transparência
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), representada pelo superintendente Giácomo Almeida, reafirmou que o órgão manterá uma vigilância rigorosa sobre a concessionária. As exigências incluem a apresentação de um cronograma de melhorias operacionais e a comprovação mensal de investimentos em infraestrutura e equipes de manutenção.
“O processo será público. Vamos fazer uma nota técnica e avaliar o que está bom e o que não está”, garantiu Giácomo Almeida durante o encontro.
A complexidade logística da região, mencionada por Frederico Tedes, do Ministério de Minas e Energia, serve como pano de fundo para uma crise que atinge serviços essenciais. A Defensoria Pública do Amazonas, representada por Rafael Barbosa, destacou o impacto dramático dos apagões no funcionamento de escolas e hospitais no interior do estado, reforçando a necessidade de uma responsabilização direta das empresas perante a sociedade.
Questões sociais e desafios energéticos
Além da instabilidade técnica, a política de cobranças da nova gestão também foi alvo de questionamentos. O deputado Mário César Filho criticou a postura da empresa em relação às dívidas dos consumidores, alertando para o impacto severo das altas tarifas no orçamento das famílias mais vulneráveis do estado, que muitas vezes enfrentam a difícil escolha entre o pagamento da conta de luz e a subsistência básica.
Transição para energia limpa
O debate também abriu espaço para discussões sobre a sustentabilidade do setor elétrico na Amazônia. O Idec, representado por Lourenço Moretto, defendeu que o atual modelo baseado em termelétricas a diesel é ineficiente e caro.
“Muitos municípios do interior ainda dependem de usinas termelétricas movidas a diesel. Sugerimos investir no uso de fontes de energia renovável nessas regiões mais afastadas”, enfatizou Lourenço Moretto.
O futuro da rede elétrica no Amazonas depende, portanto, de uma combinação entre fiscalização rigorosa, cumprimento de metas sociais como o Luz para Todos e a necessária transição para matrizes energéticas mais limpas. A pressão política sobre a Âmbar Energia tende a aumentar, com a promessa de que qualquer falha na prestação de serviço será tratada com o devido rigor legal e administrativo pelas esferas competentes.






















