A Aggreko avança na negociação para adquirir seis usinas termelétricas da BBF no Amazonas, em um movimento estratégico para a recuperação judicial da Brasil Bio Fuels e a segurança energética local.
A Brasil Bio Fuels (BBF), em meio a um complexo processo de recuperação judicial, está em avançadas negociações para a venda de um conjunto de seis usinas termelétricas situadas no estado do Amazonas. O potencial comprador é a Aggreko Energia Locação de Geradores, empresa que busca consolidar sua atuação no fornecimento de energia para sistemas isolados.
A operação, que já obteve o sinal verde do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), representa um passo crucial para a reestruturação da BBF e visa, sobretudo, assegurar a continuidade do abastecimento elétrico em comunidades remotas da região amazônica. Este movimento sublinha a urgência de garantir a estabilidade do setor elétrico em áreas de difícil acesso.
Detalhes da aquisição e aprovações necessárias
O acordo prevê que a Aggreko adquira a totalidade das cotas ou ações de Sociedades de Propósito Específico (SPEs), a serem criadas pela Brasil Bio Fuels e pela Amazonbio Indústria e Comércio de Biodiesel da Amazônia. Essas SPEs incorporarão ativos de seis usinas: Belém dos Solimões (0,89 MW), Envira (4,1 MW), Estirão do Equador (0,63 MW), Feijoal (1,18 MW), Ipixuna (4,09 MW) e Palmeiras do Javarí (0,63 MW).
Todas as unidades estão localizadas no Amazonas e operam com óleo Diesel ou biodiesel. A conclusão da transação está sujeita a uma série de aprovações regulatórias, contratuais e judiciais, incluindo as da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Amazonas Energia e das comunidades indígenas locais, além da homologação judicial.
Consolidação no Consórcio Geração Amazonas
As seis usinas envolvidas no negócio são parte do Consórcio Geração Amazonas (CGA), que foi o vencedor do Leilão nº 02/2016 da Aneel. Este consórcio é responsável pela geração e fornecimento de energia elétrica em 32 Usinas Termelétricas (UTE) distribuídas por diversos sistemas isolados no interior do Amazonas, sob contratos de comercialização específicos.
A Aggreko já detém 99% de participação no CGA, operando 26 das usinas. Com a aquisição, a empresa concentrará sob sua gestão as seis unidades restantes, anteriormente sob responsabilidade da BBF e Amazonbio.
A operação visa preservar a continuidade de ativos cruciais para o fornecimento de energia elétrica em sistemas isolados do Amazonas e mitigar os riscos decorrentes da situação econômico-financeira das empresas da BBF.
A explicação fornecida ao Cade enfatiza a lógica do negócio, focando na preservação do fornecimento de energia e na eficiência operacional, já que a Aggreko é a operadora majoritária do consórcio e possui experiência consolidada.
Contexto da Recuperação Judicial da BBF
A alienação destes ativos é um pilar central na estratégia de recuperação judicial da BBF, aprovada em outubro de 2025. O plano da empresa, que opera 25 térmicas com capacidade total de 86,8 MW, prevê a venda de Unidades Produtivas Isoladas (UPIs) para saldar suas dívidas.
Atualmente, a BBF enfrenta bloqueios judiciais e alega dificuldades para arcar com custos de combustível, transporte e logística, o que tem gerado preocupações quanto à continuidade do serviço. O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público de Rondônia (MPRO) chegaram a acionar a Justiça para garantir o abastecimento em comunidades isoladas, temendo apagões.
A Aneel já havia sinalizado a deterioração da situação financeira da BBF, propondo a revogação de autorizações e adotando medidas excepcionais, como o repasse direto de custos a fornecedores, para evitar a interrupção do serviço em regiões críticas.
A concretização desta negociação é vital para a Brasil Bio Fuels em seu esforço de reestruturação financeira, mas vai além, impactando diretamente a segurança e a estabilidade do abastecimento de energia em áreas remotas do Amazonas. Para a Aggreko, a aquisição representa uma importante consolidação em um segmento estratégico, ampliando sua capacidade de gestão e otimizando operações já existentes. O mercado e as autoridades reguladoras, como a Aneel e o CMSE, acompanharão de perto as próximas etapas, pois o sucesso desta operação não só contribui para a recuperação de uma empresa chave, mas também reforça a resiliência da infraestrutura energética em regiões sensíveis do país.























