Acordo histórico entre Acelen e Trafigura impulsiona produção de combustíveis sustentáveis na Bahia, mirando o mercado global.
O cenário energético brasileiro recebe um novo e promissor capítulo com a oficialização de uma parceria estratégica entre a Acelen Renováveis e a Trafigura, gigante global no comércio de commodities. Este acordo de longo prazo vai além de um simples contrato, delineando o futuro da produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e Diesel Renovável (HVO) em uma nova biorrefinaria que será instalada na Bahia. A iniciativa visa não apenas garantir o suprimento da matéria-prima essencial, mas também assegurar a colocação da produção em mercados internacionais, fortalecendo a posição do Brasil como player relevante na transição energética.
A união entre as duas empresas aborda de frente os maiores desafios para a concretização de projetos de biocombustíveis avançados: a segurança no fornecimento de insumos e a garantia de escoamento da produção. Ao selar este pacto, a Acelen Renováveis assegura a viabilidade econômica e operacional de seu ambicioso projeto, enquanto a Trafigura consolida sua atuação no crescente mercado de energias limpas.
O contexto global, marcado por metas rigorosas de descarbonização e uma demanda crescente por alternativas aos combustíveis fósseis, especialmente por companhias aéreas e indústrias na Europa e América do Norte, confere uma importância estratégica a este empreendimento baiano.
Projeto de Ponta na Bahia
A futura planta da Acelen Renováveis, que empregará a tecnologia HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids), uma das mais avançadas para a produção de SAF e Diesel Renovável (HVO), representa um investimento significativo, já com financiamento assegurado. Projetada para alcançar uma capacidade de produção de até 1 bilhão de litros anuais, a unidade se posiciona entre os maiores empreendimentos do gênero em desenvolvimento no mundo.
O acordo com a Trafigura é fundamental para mitigar os riscos inerentes a um projeto de tamanha magnitude. A previsibilidade na aquisição de insumos e na comercialização da produção futura confere solidez ao plano de negócios e sinaliza confiança do mercado internacional na capacidade brasileira de suprir a demanda global por combustíveis de baixo carbono.
Garantia de Matéria-Prima Sustentável
Um dos pilares do acordo é o compromisso da Trafigura em fornecer aproximadamente 470 mil toneladas anuais de óleo de cozinha usado (UCO – Used Cooking Oil). Este insumo, altamente valorizado na indústria de biocombustíveis por sua baixa pegada de carbono, garante uma fonte renovável e de difícil concorrência em nível global.
A previsibilidade no suprimento de UCO protege o projeto das flutuações do mercado de óleos vegetais convencionais, assegurando a estabilidade operacional. Além do benefício ambiental direto, a utilização de resíduos como o UCO reforça os princípios da economia circular, transformando um subproduto em um combustível de alto valor agregado, em linha com as exigências de sustentabilidade e rastreabilidade globais.
Foco nos Mercados Internacionais
Em contrapartida ao fornecimento de matéria-prima, a Trafigura será responsável pela comercialização de cerca de 5,5 mil barris diários da produção da biorrefinaria. O portfólio incluirá não apenas SAF e Diesel Renovável (HVO), mas também a nafta verde, um componente valioso para a indústria petroquímica na fabricação de materiais com menor impacto ambiental.
A estratégia de comercialização está voltada, principalmente, para os mercados europeu e norte-americano, onde a pressão regulatória para a redução de emissões no setor de transportes é crescente. A expectativa é que os mandatos de mistura de SAF e as metas corporativas de descarbonização impulsionem uma demanda consistente pelos biocombustíveis produzidos na Bahia. As certificações reconhecidas internacionalmente, como a ISCC EU, e a conformidade com os critérios da EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) garantirão o acesso a esses mercados.
Viabilidade Financeira Reforçada
Para a Acelen Renováveis, o acordo representa uma salvaguarda contra riscos comerciais e financeiros. Cristiano da Costa, Vice-Presidente de Comercial e Negociação da Acelen Renováveis, destacou a importância da integração entre fornecimento e comercialização: “A participação da Trafigura valida um modelo que consideramos essencial para o sucesso da biorrefinaria: a integração do fornecimento certificado de matérias-primas com o acesso aos mercados finais. Ter uma contraparte global operando em ambos os extremos da cadeia de valor traz maior previsibilidade à operação, reduz riscos de execução e contribui para a construção de uma plataforma comercial robusta e de longo prazo.”
Com este contrato, a Acelen Renováveis assegura cerca de 90% de sua capacidade de originação e comercialização de longo prazo, fortalecendo a base financeira para a construção do empreendimento.
Brasil na Vanguarda da Transição Energética
Esta colaboração consolida o Brasil como um potencial exportador de combustíveis sustentáveis, um mercado avaliado em bilhões de dólares para as próximas décadas. O crescimento da demanda por SAF é, inclusive, apontado por entidades internacionais como um fator chave para a descarbonização do setor aéreo, um dos grandes emissores de gases de efeito estufa globalmente.
Sebastian Jaworski, Head de Oil Trading para a América Latina da Trafigura, ressaltou o potencial estratégico da iniciativa: “O crescimento do mercado de combustíveis sustentáveis representa uma oportunidade significativa para o Brasil. Ao combinar a capacidade de produção em larga escala da biorrefinaria da Bahia com a expertise da Trafigura, ampliaremos o alcance desses produtos, ajudando mais empresas a avançar em seus objetivos de descarbonização.”
A futura biorrefinaria na Bahia, com matéria-prima assegurada, mercado consumidor contratado e financiamento estruturado, avança para uma fase crucial de desenvolvimento. O projeto é visto como um marco na transição energética brasileira, unindo produção em larga escala, logística integrada e acesso aos principais centros consumidores globais. Mais do que um avanço na produção nacional de biocombustíveis, a iniciativa posiciona o Brasil e, em particular,






















