Adelat aponta baixa resiliência inicial em distribuidoras de energia da América Latina

Alessandra Amaral, presidente executiva da ADELAT, fala ao estúdio eixos durante o EVEx Lisboa 2026, em 3 de novembro (Foto Caio Visual Photo/eixos)
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Distribuidoras latino-americanas enfrentam desafios de resiliência, aponta Adelat.

A infraestrutura energética da América Latina apresenta uma base de resiliência considerada baixa quando comparada a regiões como Europa e Estados Unidos, especialmente diante do aumento de eventos climáticos extremos. Este é o diagnóstico apresentado pela Associação de Distribuidoras de Energia Elétrica Latino-Americanas (Adelat). A entidade aponta para desafios comuns que precisam ser superados para garantir a confiabilidade do fornecimento.

A presidente executiva da Adelat, Alessandra Amaral, em entrevista durante o evento EVEx Lisboa 2026, ressaltou que, apesar da heterogeneidade entre os países da região, a necessidade de fortalecer a resiliência é um ponto transversal. Ela destacou que as distribuidoras precisam evoluir de meras operadoras de rede para gestoras de um sistema de distribuição cada vez mais complexo.

A Nova Era da Distribuição de Energia

A evolução para se tornar um “operador de sistema” implica em novas responsabilidades, especialmente na coordenação em tempo real de recursos energéticos distribuídos. Para Alessandra Amaral, dois atributos são cruciais nesse novo cenário: flexibilidade e resiliência.

A flexibilidade torna-se fundamental com o crescente volume de energia renovável não controlável. Já a resiliência é imperativa para mitigar os impactos da intensificação dos fenômenos climáticos extremos que afetam a infraestrutura.

Alessandra Amaral explicou:

“É mais complexo. Agrega novas responsabilidades no sentido de coordenar em tempo real os recursos energéticos distribuídos. E, nesse sentido, as distribuidoras têm dois atributos que elas devem oferecer para o sistema: o primeiro é a flexibilidade… é fundamental na medida em que aumenta bastante a energia renovável não controlável; e o segundo é a própria resiliência pelo aumento dos fenômenos climáticos extremos”

Tecnologia e Regulação: Pilares para a Resiliência

A presidente da Adelat enfatiza a necessidade de definir responsabilidades claras e métricas específicas para a resiliência. A transformação das concessões de distribuição passa, inexoravelmente, pela adoção de tecnologias de ponta.

A digitalização, a implementação de redes subterrâneas e o uso de drones equipados com inteligência artificial são exemplos de inovações que podem fortalecer a infraestrutura. Alessandra Amaral também destaca a importância dos sandboxes regulatórios para viabilizar a experimentação e a adoção dessas novas soluções.

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Desafios e Oportunidades Identificados

A resiliência energética deve ser abordada de forma integral, contemplando as fases de prevenção, ocorrência e recuperação de eventos adversos, com responsabilidades e protocolos de comunicação bem definidos.

Atualmente, há uma carência de métricas e bases de dados específicas para resiliência, de forma similar ao que ocorre com os indicadores de qualidade como o DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Consumidor) e FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Consumidor).

A incorporação de tecnologias como protetores de rede, digitalização, drones e IA exige atenção redobrada à segurança cibernética e à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). A regulação precisa reconhecer os investimentos realizados no ciclo de vida das tecnologias, cujos prazos de obsolescência podem ser inferiores aos prazos regulatórios.

A América Latina enfrenta três grandes desafios macro: a melhoria da qualidade e resiliência do sistema, o desenvolvimento de plataformas digitais robustas e a busca por eficiência econômica através de tarifas flexíveis.

O caminho para aumentar a resiliência das distribuidoras na América Latina é desafiador, mas crucial para garantir a segurança energética em um cenário global de crescente imprevisibilidade climática. A colaboração entre empresas, reguladores e a adoção de novas tecnologias serão determinantes para superar essas barreiras.

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